Leandro Souto Maior, Jornal do Brasil
RIO - Autorretrato, o DVD, expõe a feitura do primeiro álbum de inéditas dos irmãos em cerca de 20 anos. As músicas, belas canções que fazem ter valido a pena esperar tanto tempo, são executadas em estúdio, com direito a erros e repetições sem encher o saco do público com zilhões de versões até se chegar à execução ideal. Apresentado em forma de documentário, o lançamento também ganha graça ao se esquivar da já batida e monotemática fórmula do novo show ao vivo do artista . A intimidade da produção passa por momentos desde o que descobrem o título ideal para o álbum, as novas melodias saindo naturalmente do além para os dedos e cordas vocais dos compositores, até os ensaios onde colocam em prática tudo o que vinha sendo rabiscado.
Na casa de Kleiton, uma grande foto dos Beatles ao fundo aponta para a inspiração que fez brotar as novas melodias e sonoridade, repleta de slides, violões e vocais dobrados. Tudo com o marcante acento gaúcho da dupla, registre-se. A ponte entre Pelotas e Liverpool.
Na faixa-título, cantam em intervalos de terças e quintas que Coisa boa é um amigo para poder relaxar e jogar conversa fora , e dá o tom do que é revelado no vídeo. Um pega o violão da mão do outro para acertar uma harmonia, no maior clima deixa isso aqui comigo que eu resolvo .
Os extras potencializam a impressão. No making of, de cara, entre divertidas derrapadas nos textos em que dão cada um sua particular ficha técnica, fazem questão de brincar com o inevitável: Olá, sou o Kleiton, mas pode me chamar de Kledir . Afinal, quem nunca trocou um pelo outro? Talvez, depois do DVD, nunca mais a confusão aconteça. Ali, revelam-se parecidos, mas também um bocado diferentes, nas vozes, no jeito e na musicalidade. Um mútuo complemento que fez brilhante esta volta aos holofotes.