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Diana Popoff grava com o tio Toninho Horta

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Leandro Souto Maior, Jornal do Brasil

RIO - Ela tinha apenas 6 anos quando chamou a atenção do tio para umas musiquinhas que vinha burilando informalmente. Foi logo antes de deixar sua Belo Horizonte e mudar-se para o Rio, onde mora até hoje, em Santa Teresa. O tal tio, o guitarrista e compositor Toninho Horta, ficou especialmente tocado e tratou de anunciar que ali se revelava mais uma geração daquela família para lá de musical. Filha do baixista Yuri Popoff e da flautista Lena Horta, a cantora, compositora e multiinstrumentista (toca flauta, piano e até oboé) Diana Popoff, hoje com 30 anos, finalmente põe em prática a intuição do tio. Apesar de, desde aquele já distante dia em que resolveu mostrar suas melodias pela primeira vez, nunca ter parado de compor e se dedicar à música, só agora finaliza seu primeiro CD, com participação da família inteira e letras de amigos como Fernando Brant e Márcio Borges.

Demorei para decidir me lançar como artista solo porque tenho uma enorme dificuldade de ser manager justifica. Muitos músicos fantásticos me conhecem e me chamam para trabalhos. O Fernando Brant vive falando que sou sua mais nova parceira. Mas a ideia de finalizar um CD surgiu mesmo quando estreitei contato com o Marcio Lomiranda, que veio a se tornar o produtor do álbum. Ele é um fera, músico e arranjador que trabalhou com Ney Matogrosso, Maria Bethânia, Milton Nascimento, Ivan Lins, e também produziu trilhas para inúmeras séries de TV, como Os Normais e A Grande Família.

O disco Além do fim, título de também de uma das canções, parceria com Márcio Borges, sai em setembro pelo selo Eletro Fluminas, do próprio produtor.

Sonho é conhecer Milton

Guitarrista em todas as faixas, Toninho Horta está babando pela sobrinha.

Desde pequena ela se interessava em vasculhar a minha discoteca particular lembra o autor de Manuel, o audaz. Sempre demonstrou bom gosto pela música. Quando descobri seu potencial como compositora, virou uma pessoa altamente admirada, primeiro pelo fã clube familiar, depois por todos os músicos que cruzavam seu caminho.

Por esse caminho, já passaram até os internacionais Gary Peacock e Jack Dejohnette, baixista e baterista, respectivamente, com quem teve o privilégio de dividir o palco em uma das muitas ocasiões que o tio abusou de seu talento.

Gravei com o Toninho no disco De Ton para Tom e toquei flauta e cantei diversas vezes ao vivo com ele orgulha-se a sobrinha. Meu sonho é conhecer o Milton Nascimento e mostrar minhas canções. Justamente ontem enviei músicas para ele. Estou agora super ansiosa para saber o que achou.

Nem a relação apaixonada com a música brasileira nem os letristas do primeiro time em seu CD são suficientes para desviar a mira de sua carreira no mercado internacional. Dica de Toninho Horta, que sempre focou seu trabalho na mesma direção.

Ela tem um carisma muito grande, voz linda, toca flauta e vários outros instrumentos, é arranjadora, vai chamar a atenção. Tem um talento de nível internacional. Vejo grande campo para ela no exterior.

Obediente, Diana Popoff segue os conselhos familiares à risca.

Meu tio vive falando para eu levar minha música lá para fora. Realmente meu som não é feito com harmonias fáceis, que tem uma regra. Ela é mais modal, os tons variam muito. É difícil emplacar esse tipo de música no Brasil.

Ouvidos estrangeiros a mineira já vem tocando. Na Europa, em curso de música que fez na Dinamarca com workshops de integrantes da banda de Herbie Hancock e que se estendeu a trabalhos musicais em Londres, atuou com Michael Mondesir (baixista de Jeff Beck e John McLaughling), Davide Giovannini (baterista que tocou com Paul McCartney e Björk) e gravou com a banda inglesa Zeep um CD de bossa nova para o mercado japonês.

Tantas aventuras musicais, aliadas à incessantes audições das discografias de ídolos como Bill Evans, Henri Mancini e Michel Legrand, moldaram sua música (www.myspace.com/dianahortapopoff ) que, garante, é desprovida de rótulos.

O Ivan Lins disse que chamava tanto a atenção dos estrangeiros para sua música por causa da harmonia e melodia. Adorei a definição. Se eu falar que faço bossa nova ou jazz, vão ver que é mentira. O ritmo pode até ser eventualmente, mas a harmonia ou a melodia pode não ter nada a ver.

Enquanto o lançamento do CD não acontece, Diana Popoff desfila seu talento na Lapa ou na Sala Cecília Meireles.

Adoro transitar por ambientes musicais, dos clássicos aos mais alternativos. Mas também curto ir à Praia de Ipanema, claro, para variar de vez em quando!