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Teatro: "O amor passou por aqui" traz texto lúdico e sem pretensões

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Macksen Luiz, Jornal do Brasil

RIO - Este texto de Victor Frade, em cartaz na Casa da Gávea, também segue a linha de uma dramaturgia de ocasião. Neste caso, relacionamento de casal, com escrita limpa e fluida, sem maiores ambições, e que, se não se lança em grandes voos, pelo menos se traduz com alguma eficiência no palco. O encontro do casal num bar, em torno de uma mesa de bilhar, desencadeia uma série de desencontros ao longo do tempo, num jogo de idas e vindas. Na perseguição até o encontro definitivo, o casal desenrola os fios da atração e do afeto numa corrida lúdica pela expressão dos sentimentos. Nesta comédia romântica, modesta nas pretensões e até certo ponto habilidosa na sua urdidura, a simplicidade torna agradável a sua pouco mais de uma hora de duração.

O diretor Carlos Bonow acentuou o aspecto lúdico do texto, transformando o palco numa mesa de bilhar, e a contracena dos atores numa sequência de brincadeiras infantis, que se ajustam à ingenuidade narrativa. As pistas falsas com os possíveis finais e os brinquedos que marcam o ritmo dos diálogos fazem com que a montagem seja, no mínimo, simpática. Apesar da insistência no uso da música João e Maria, de Chico Buarque, e das projeções infantis mal executadas, que somente tornam reiterativo essa ambientação lúdica, O amor passou por aqui se sustenta, essencialmente, pela ingenuidade. Victor Frade e Tati Zig desempenham com o simpático ar brincalhão o casal na corrida até o final feliz.