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Nos holofotes, madame Legrand

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Bolívar Torres, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Ele já compôs trilhas para diretores como Jean-Luc Godard, Jacques Demy, Robert Altman e Clint Eastwood. Já tocou com gente do calibre de Bill Evans, Miles Davis, John Coltrane e Herbie Mann. Só que agora o compositor Michel Legrand, um dos grandes protagonistas da música francesa, vai virar coadjuvante no encerramento do 4ª RioHarp Festival. Amanhã à noite, na sala Cecília Meireles, na Lapa, tudo estará preparado para que brilhe o talento de sua mulher, Catherine Michel, uma das mais importantes harpistas do mundo. Legrand a acompanhará no piano em versões eruditas para suas clássicas canções de filmes.

Ela será a solista e eu a acompanharei explica Legrand. Conheço bem o instrumento e escrevi os novos arranjos especialmente para Catherine.

O casal se conheceu durante as gravações da trilha sonora de Les sauvages, uma das mais de 200 compostas por Legrand. A harpista tocava na orquestra, mas o relacionamento não começou de imediato. Levou tempo para amadurecer.

Antes de ser meu marido, conheci-o como chefe de orquestra lembra Catherine. Já começamos a tocar juntos antes de eu ser sua companheira. Não dá para falar em encontro . Na primeira vez, sequer nos falamos. Eu diria que nosso relacionamento é um longo caminho musical que construímos com o tempo.

Carreira erudita

A harpista ressalta que o relacionamento não influi na hora em que pisa no palco.

Quando estou com ele, toco como se estivesse com qualquer outro músico. Nossa vida privada não tem nada que ver com o trabalho.

Nascida em Amiens, Catherine Michel ganhou seu primeiro prêmio musical aos 15 anos. Paralelamente à carreira de solista internacional, ela ingressou, em 1971, na Orquestra Nacional da Radio France e, em 1978, na Ópera de Paris.

Herdeira da tradição francesa da harpa, procurou resgatar durante toda a carreira autores e temas desconhecidos, além de gravar com grandes orquestras, numa discografia que cobre três séculos de música de câmara e peças para harpa.

Sob influência de Legrand, porém, passou a integrar a música popular ao seu repertório. O casal desenvolveu uma nova forma de concertos para harpa e orquestra ou big bands escritos em cima de temas de trilhas de filme ou comédias musicais.

Talvez o exemplo mais bem-sucedido seja a premiada versão sinfônica de Os guarda-chuvas do amor.

O público poderá esperar sucessos como Dingo Lament, Dingo Rock, Summer of 42, Questions, I will say Goodbye, Ray Blues, Summer me, Winter me, You must believe in spring, La valse des lilas e Les moulins de mon coeur mas em versões muito diferentes das originais.

Não pertenço ao mundo da música de variedades e sim da música erudita observa Catherine. Toco as músicas de maneira clássica. Não faço improvisações, por exemplo.

A instrumentista, que já esteve duas vezes por aqui, compartilha a paixão pela música brasileira com o marido. Legrand ainda preserva a amizade com compositores como Ivan Lins e Dori Caymmi. Amanhã, cantará ao lado da paulistana Patty Ascher.

É uma moça muito charmosa e que tem uma voz sublime elogia Legrand. A música brasileira é inimitável. É só pegar os ritmos e as harmonias de Ivan Lins ou Tom Jobim, por exemplo. Não há nada igual.