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Afirmação em grupo

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Daniel Schenker, Jornal do Brasil

RIO - Maria Esmeralda Forte é uma atriz de grupo. Depois de integrar algumas das mais importantes companhias de teatro do Rio de Janeiro Teatro dos Sete, Teatro Ipanema, A Comunidade e Núcleo Carioca de Teatro investe agora numa parceria com a Aquela Companhia, dirigida por Marco André Nunes, que estreia, no próximo dia 4, no Mezanino do Espaço Sesc, a montagem de Malentendido, texto de Albert Camus. Não é a primeira experiência de Maria Esmeralda com o grupo. Esteve presente nas encenações de Projeto K e Sub:Werther. No novo espetáculo, que chega aos palcos graças ao esforço de outra atriz, Carolina Virguez, interpreta a mãe que não reconhece o próprio filho quando este volta ao seu país de origem depois de 20 anos no estrangeiro.

Malentendido é uma homenagem ao Yan Michalski, que dirigiu o texto, com o título de O equívoco, no Tablado, com Jacqueline Laurence e Helio Ary no elenco conta a atriz, referindo-se ao ex-crítico de teatro do Jornal do Brasil e um dos fundadores da Casa das Artes de Laranjeiras (CAL), onde dá aula de interpretação há mais de 20 anos.

Com Elizabeth Savalla

Nesse momento, Maria Esmeralda também pode ser vista em Friziléia, espetáculo protagonizado por Elizabeth Savalla e dirigido por Luiz Arthur Nunes, em cartaz no Teatro Vanucci, no qual faz participação em vídeo interpretando uma sogra tirana. Mas não cabe destacar apenas o fato de estar atualmente em cena com dois trabalhos, e sim a trajetória profissional de uma atriz que, apesar de atravessar alguns dos marcos do teatro brasileiro da segunda metade do século 20, não costuma receber o merecido destaque.

Nunca pensei em fazer carreira solo. Gosto do grupo porque é nele que se desenvolve uma linguagem específica, uma estética assume Maria Esmeralda, que desembarcou no Rio de Janeiro aos 18 anos, em plena década de 50, vinda diretamente de sua Belém natal, graças a uma bolsa de estudos na Fundação Getúlio Vargas para cursar administração.

Ela terminou o curso, conforme o programado, mas enveredou pelo teatro. Foi trabalhar com a companhia Teatro dos Sete (composta por Fernanda Montenegro, Fernando Torres, Ítalo Rossi, Sergio Britto e Gianni Ratto na direção) em montagens como Com a pulga atrás da orelha, de Feydeau, O beijo no asfalto, de Nelson Rodrigues, e Festival de Comédia, junção de textos de Cervantes, Molière e Martins Pena.

Fiquei deslumbrada com o processo de trabalho. Sergio (Britto) é um homem de teatro extraordinário elogia Maria Esmeralda, que, ainda nos primeiros anos de profissão, atuou sob o comando de Ziembinski no espetáculo Sangue no domingo e fez televisão ao vivo nos tempos do Grande Teatro.

Pouco depois, a atriz bateria ponto em mais um espetáculo emblemático: Hoje é dia de rock, texto de José Vicente que, em 1970, ganhou montagem até hoje lembrada, no Teatro Ipanema, a cargo de Ivan de Albuquerque e Rubens Corrêa, com quem já tinha trabalhado na versão de A escada, de Jorge Andrade.

Na época, eu estava ensaiando O china, com Martim Gonçalves. Fui convidada para participar de Hoje é dia de rock, mas não tive coragem de abandonar o processo. Chamaram, então, Thaia Perez para interpretar a cigana, que seria a minha personagem. Quatro meses depois ela engravidou e eu a substituí relembra Maria Esmeralda.

O último dia de apresentação do espetáculo, inclusive, foi histórico. Os atores não tiveram como fazer a apresentação, dada a quantidade de espectadores que, aglomerados na porta do teatro, não conseguiam entrar.

Fomos todos para a Praia de Ipanema, atores e espectadores. Fizemos uma roda e cantamos as músicas da peça, de autoria da Cecília Conde evoca.

A década de 70 seria marcada, em sua carreira, pelo vínculo com Amir Haddad no grupo A Comunidade. Um dos trabalhos mais destacados de que participou sob a condução de Haddad foi Somma.

Foi um espetáculo de desconstrução e ela não teve medo. Nunca olhou para mim como se estivesse maluco. Faz parte de um tipo de gente brava que ficou sem lugar a partir do momento em que o teatro se acomodou ressalta Amir Haddad.

Em 1974, Maria Esmeralda se mudou com o marido para os Estados Unidos, onde permaneceu por dois anos.

Não estava sendo diretamente perseguida durante a ditadura. Mas chegaram a grampear meu telefone afirma a atriz que, ao retornar, foi fazer teatro de rua com João Siqueira.

Maria Esmeralda participaria da fundação de outro grupo: o Núcleo Carioca de Teatro, dirigido por Luiz Arthur Nunes, que apresentou, principalmente, montagens realizadas a partir da produção não-dramatúrgica de Nelson Rodrigues, como A vida como ela é, Correio sentimental de Nelson Rodrigues e O menino de paixões de ópera.

Nos anos 80, Maria Esmeralda trabalhava com Ivo Fernandes e Shimon Nahmias e eles me convidaram para montar A maldição do Vale Negro conta Luiz Arthur, em relação à peça de Caio Fernando Abreu, com a qual colaborou na concepção. - Eu ainda morava em Porto Alegre. Então, ela foi, em alguma medida, responsável pela minha mudança para o Rio sublinha o diretor, que tinha visto Maria Esmeralda interpretando Dalia, irmã de Selminha, na montagem do Teatro dos Sete para O beijo no asfalto.