Megh Stock, do agressivo grupo de rock Luxúria, sai em carreira solo

Braulio Lorentz, Jornal do Brasil

RIO - Por mais que o Luxúria grupo paulista que cravou Ódio e Imperecível nas paradas continue com a mesma formação na ativa, todo o resto mudou. O nome da banda, que durou apenas um disco, lançado em 2006, foi deixado de lado e a vocalista Megh (agora com h) Stock se apresenta em carreira solo, com os cabelos louros e sonoridade que pouco lembra o peso de outrora. Megh diz ter sido muito simples a decisão, tomada quando começaram a fazer a pré-produção do novo disco em junho. Da minha vida cuido eu sai pela EMI, após o fim do contrato com a Sony BMG.

O álbum foi gravado de forma independente, no estúdio Oversonic na cidade paulista de Campos do Jordão entre agosto e setembro. Baixista do Luxúria, Luciano Dragão estreia como produtor e divide a autoria das músicas Inveja e Contra o sol. Raphael Miranda (bateria) e Pedro Nogueira (guitarra) completam a banda de apoio. Megh comemora a liberdade por ter feito tudo sem imposições ou pitacos de fora do time ( ficamos livres para criar, crescemos como músicos ) e revela as mudanças que levaram ao abandono do nome.

Tínhamos perdido a sonoridade pesadona e metalzona do primeiro disco explica a cantora. O nome era muito agressivo. Adoro, mas não combinava agora. Luxúria era uma dupla na verdade. E com os dois nomes ia ser meio caipira, já somos do interior... Não dava. Não compactuava com o lance de agora.

A banda criada em Jacareí, no interior de São Paulo, passeia por um terreno pouco explorado no único disco do grupo. No novo trabalho há rockabilly na faixa-título e rocks delicados como Sofá emprestado, que já ganhou clipe. Baladas de tons folk (Feita de papel), com órgão Hammond (Lisos abraços), instrumentos de sopros proeminentes (A porta) e pegada acústica (Contra o sol) dominam o repertório.

Antes, dividiam fãs com a americana Evanescence, da vocalista Amy Lee, banda de new metal para a qual abriu shows na turnê brasileira de 2007. A conexão era em grande parte explicada pelo estilo de Megh e seu desempenho com o microfone em mãos. Escancarar a boca era uma de suas especialidades nas performances em que aproveitava cada segundo para expor a potência de sua voz. Em carreira solo, a cantora surge bem mais suave.

Foi muito natural relata. As músicas exigiram que eu me contesse em algumas. Isso é muito bom. Gosto que as pessoas observem isso. Para mim, é positivo. Mas não vejo tanta diferença quando coloco os dois discos para ouvir.

O Luxúria se beneficiou bastante do circuito de festivais, com passagens muito comentadas por Música Alimento da Alma, em Natal; Porão do Rock, em Brasília; e Ceará Music, em Fortaleza. Rodar pelos eventos do calendário do rock nesta nova fase está nos planos.

É o máximo fazer festival, já fomos meio intitulados de banda de festival lembra Megh. Vamos continuar fazendo porque é um prazer enorme. Uma coisa que é muito forte na gente é o palco. Gostamos muito de tocar. Vamos continuar com a mesma energia de sempre. Não tenho preconceito nenhum em fazer festival menor. É como começar tudo de novo, queremos ter um respaldo um pouco diferente.

A escolha do título do CD, ela reconhece, foi para despertar a curiosidade do público:

Isso vai me perseguir. Incomoda, mas atrai para caramba. Depois que ouvem a faixa do disco com o mesmo nome é que eles sacam. É imponente, parece petulante.

Com tantas novidades, é de se esperar reações diversas dos fãs que acompanham o Luxúria desde o início da carreira. A resposta, conta Megh, é variável. Normalmente os mais adolescentes são os mais fervorosos. Apareceram, contudo, mais reclamações sobre a troca de nomes do que as com foco na mudança do estilo.

Repetir fórmula pode ser tão arriscado como mudar o som compara Megh, que concorda que bandas de rock contemporâneas do Luxúria nada se arriscam. Mudamos justamente para não cair nesse bolo de bandas que fazem o rock nacional e tanto se repetem. Não queria fazer isso com a gente. Não preciso fazer isso. Ousar nos mantêm vivos. Costumo dividir quem faz rock n' roll e quem toca hardcore melódico. Há diferenças de postura, de tudo, quando se é artista de rock.

Para Megh, a cantora baiana Pitty foi importante para que as pessoas voltassem os olhos para o estilo de novo, independentemente de ser o feito por mulheres.

Pitty escreve muito bem e tem uma baita de uma banda boa derrete-se. Ela tem uma parcela de responsabilidade pela postura das mulheres, pela coragem de falar. Eu já cantava quando vi a Pitty pela primeira vez, mas ela é fantástica.

Nos shows, a mesma banda que esteve em estúdio se apresenta. Mas Megh quer mais:

Acrescentamos um pianista, não tinha como não ter um. No futuro pretendemos ter instrumentos de sopro... Vamos nos transformar numa big band mesmo.