Leandro Souto Maior, Jornal do Brasil
RIO - O figurino típico dos amantes do rock pesado camisas pretas e jaquetas de couro pouco tem a ver com o clima do Rio. Mas depois de Kiss e Iron Maiden, o próximo dinossauro do metal a aportar por essas bandas, no próximo dia 17, no Citibank Hall, é o Heaven & Hell, formado por Tony Iommi e Geezer Butler cofundadores do Black Sabbath com o vocalista Ozzy Osbourne e o baterista Bill Ward, em 1969 mais Vinny Appice e Ronnie James Dio, baquetas e voz do Sabbath de 1979 a 1982 e de 1990 a 1992. Quando é preciso juntar milhares de pessoas em uma arena ou estádio para cantar clássicos do metal, balançando a cabeça e levantando as mãos com os dedos indicador e mínimo em riste para saudar os ídolos, poucas cidades são mais procuradas que o Rio em turnês latino-americanas do gênero.
O público carioca sempre me recebeu muito bem, sempre correspondeu com emoção, tanto nas vindas com minha banda solo quanto com o Black Sabbath garante Dio, em entrevista por telefone ao Jornal do Brasil.
O vocalista deixa claro que os fãs não vão ouvir na sua voz nenhum clássico dos tempos iniciais do seminal grupo, na fase com Ozzy Osbourne, como War pigs. A própria escolha do nome para esta reunião, retirado do álbum de 1980, Heaven & hell, serve para distinguir a atual formação das anteriores.
Não quisemos usar o nome Black Sabbath para não confundir as pessoas, já que a banda ainda existe desde sua volta nos anos 90, com Ozzy Osbourne explica o veterano vocalista, de 66 anos. Não vamos tocar músicas das fases com outros cantores, só canções de discos dos quais participo.
Além de clássicos como Neon knights, Dio vai cantar também temas do primeiro disco de inéditas do Heaven & Hell, The devil you know.
Vamos incluir três músicas do novo álbum e as mais emblemáticas de Heaven & hell (1980), The mob rules (1981) e Dehumanizer (1992).
Metal em marcha lenta
Assim como Ozzy, Dio entrou e saiu do Black Sabbath um punhado de vezes. Apesar do grande carisma do vocalista fundador, o gogó de Dio é de fato mais poderoso, mas gritos ainda mais altos que os seus suplicando por clássicos obrigatórios como Paranoid prometem pipocar na plateia de qualquer show onde soe a guitarra sombria de Iommi, seja lá quem estiver no comando do microfone. Na internet, fãs já vêm se manifestando em relação ao novo lançamento. Em sua maioria, criticam o ritmo lento predominante das novas composições e aprovam o fato de não ter sido creditado ao Black Sabbath um disco tão fraco.
Não queremos agradar a ninguém fazendo músicas mais rápidas ou mais lentas dispara Dio, ou melhor, Ronald Padavona, seu nome de batismo. Recomendo a eles que escutem o disco inteiro antes de criticar. Sempre haverá pessoas falando essas coisas, mas eu não me importo.
O novo álbum foi registrado entre viagens do estúdio de Iommi, na Inglaterra, a Los Angeles, onde está fincada a sala de gravação de Dio, que imortalizou o símbolo feito com as mãos forjando os chifres do diabo, marca indissociável do heavy metal, ao imitar o gesto que a avó italiana usava para espantar o mau olhado.
Quando nos reencontramos, fizemos tudo exatamente do jeito queríamos fazer detalha o cantor. Depois que gravamos Bible black, o carro-chefe do disco, sentimos que estava estabelecido ali um caminho para todo o resto do álbum. Quando se começa com uma canção como essa, todo o resto fica muito mais fácil, porque temos um referencial da qualidade de como as outras devem soar.