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'A fronteira da alvorada': um triângulo em p&b

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Daniel Schenker, Jornal do Brasil

RIO - Durante boa parte de A fronteira..., fica a impressão que o fotógrafo François (Louis Garrel) sofre nas mãos da desestabilizada atriz Carole (Laura Smet). Ele parece mais transparente; ela, mais nebulosa. À medida que o filme avança, porém, sobressai o caráter obsessivo do protagonista. Eve (Clémentine Poidatz), a terceira ponta do triângulo, não tem força suficiente para arejar a vida do assombrado François.

O diretor Philippe Garrel, que há pouco sensibilizou o público com sua evocação do maio de 68 em Amantes constantes, não se limita a abordar relações claustrofóbicas. Entrelaça a esfera íntima com uma dimensão mais ampla, fazendo menção ao Holocausto. No dia em que o último sobrevivente dos campos de concentração morrer, nesse dia vai começar a Terceira Guerra Mundial , diz François. O cineasta também procura envolver o rosto de Carole numa espécie de aura, intenção propiciada pela refinada fotografia p&b de William Lubtchansky.