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Filme 'Inútil' é uma experiência curiosa

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Daniel Schenker, Jornal do Brasil

RIO - A roupa não é exatamente o tema de Inútil, mas o objeto escolhido por Jia Zhang-Ke para evidenciar algumas tensões: entre o processo artesanal e o sistema industrial, entre a relação de distância e de proximidade do trabalhador com o que confecciona. No entanto, o foco mais interessante está sugerido no próprio título. Reside na diferença entre aquilo que é concebido para fins utilitários no cotidiano e o criado visando à apreciação artística.

Não por acaso, o cineasta divide o filme em partes registradas em espaços bem diferentes: a atmosfera impessoal de uma fábrica, o ambiente personalizado de um ateliê e o esquema caseiro de uma alfaiataria.

Jia Zhang-Ke documenta a partir de procedimentos diversos. Traça um painel composto por personagens anônimos, recorre a depoimentos informativos e flagra conversas do dia-a-dia. Já o modo de apresentar o espectador aos variados contextos é parecido, com a câmera descortinando lentamente cada novo lugar. Tanto para o cineasta como para o espectador, Inútil se impõe como uma experiência curiosa.