Blu-ray, o substituto do DVD, emplaca nos EUA e chega ao consumidor

Braulio Lorentz, JB Online

RIO - Ele é o único disco de alta-definição do mercado e quer tomar o trono que é esquentado pelo DVD há pelo menos oito anos.

Maior vedete das prateleiras americanas nos últimos meses, o blu-ray tem números e qualidade de imagem e som a seu favor.

No último semestre de 2008, saíram das lojas dos Estados Unidos nada menos do que 28,6 milhões de unidades nas contas do The Digital Entertainment Group, consórcio de estúdios de cinema e fabricantes de eletrônicos.

A cifra corresponde a quase o tripo da marca do ano anterior. No Brasil, o formato já começa a pegar. Diretor-geral da Sony Pictures no Brasil, Wilson Cabral avisa que neste ano a expectativa é de 1 milhão de unidades vendidas, graças à entrada de empresas de grande porte como as Lojas Americanas.

A partir de fevereiro, elas ganham seção dedicada ao formato, garante o executivo. Será algo em torno de 500 mil players sedentos por discos.

A União Brasileira de Vídeo contabiliza 225 títulos postos nas lojas no ano passado, com total de vendas para o mercado de 92 mil unidades.

Ainda no primeiro semestre, a oferta deve passar a 500 produtos, entre filmes, musicais e séries.

A Paramount teve sua primeira leva despejada no fim do ano e a Universal pretende estrear em breve no segmento.

As empresas começam lançando o que está em catálogo: poucos filmes ganharam as prateleiras concomitantemente ao lançamento em DVD.

Replicação de blu-ray no Brasil

Já começou a tentativa de, na pior das hipóteses, o lançamento ser quase que imediato. Em 2010, a expectativa é de lançamento simultâneo adianta Cabral.

Tomamos o mercado americano como base. Há uma união entre as companhias para fazer chegar ao consumidor o que é o blu-ray. Muitos não sabem que o game Playstation 3 reproduz.

Para ele, o fortalecimento do novo formato não é acompanhado de uma derrocada do já estabelecido DVD.

A indústria não vai matar seu próprio negócio. O entendimento é que o blu-ray não vem para substituir. Passaram-se 23 anos de domínio do VHS até surgir o DVD. O DVD começou em 2000 e em oito anos surgiu o blu-ray. A tendência é esse tempo ser cada vez menor.

Entre as vantagens da nova mídia são citadas a capacidade de armazenamento e qualidade de imagem e som muito superiores. A superioridade, claro, enche os olhos e esvazia o bolso do consumidor.

Nada muito diferente dos tempos em que ter um aparelho de DVD em casa era um privilégio para pouquíssimos.

A Sony jogou o preço do DVD para cima, e a Gradiente lá embaixo lembra o executivo.

A evolução foi rápida. Começaremos a ter a replicação do blu-ray no Brasil no ano que vem. Hoje ele é importado, o que dificulta a reposição. Teremos velocidade e redução dos custos sem as taxas de exportação. Essa notícia vai ser muito importante.

Ao fatiar o mercado brasileiro, nota-se que ele é entre 80% e 90% destinado ao varejo e 10% para video-locadoras.

Como o Brasil é forte em locação, quando entrarem pesado ajudarão a chegarmos aos objetivos. No início do DVD, vendíamos para poucos. As Lojas Americanas não compravam. Agora a Americanas está sinalizando a entrada no mercado. Começa a ser atingido outro tipo de consumidor.

Lançado no fim do ano passado, Um barzinho, um violão Novela 70 tornou-se o primeiro blu-ray de um musical brasileiro. Produtor do projeto, Max Pierre conta como o pioneirismo cruzou seu caminho.

Conseguimos as câmeras em full HD e tivemos a visão de fabricar o blu-ray explica.

É inacreditável. Vi Homem-Aranha em DVD e blu-ray. No segundo, o áudio e imagem são sem nenhum tipo de compressão. Uma amiga minha viu a Paula Toller cantando e conseguiu notar a lente dela.

A qualidade da imagem não foi notada apenas no tempo livre de Pierre. A mudança foi sentida na produção do musical.

Tivemos que contratar uma maquiadora da TV Globo formada na Alemanha. Meu filho mora em Los Angeles e me mandou um blu-ray do Paul McCartney. Você precisa ver.

Professor do Instituto de Computação da UFF e entusiasta do formato, Esteban Clua relembra que no ano passado havia uma incógnita em relação à Toshiba, maior incentivadora do HD-DVD, com características semelhantes às do blu-ray.

Não se sabia qual ia pegar explica Clua.

A indústria estava com pé atrás para saber em qual apostar. No começo de 2008, a Toshiba recuou e o blu-ray virou padrão. Um dos motivos da vitória foi o PlayStatation 3 ter adotado a plataforma e ter a Sony por trás.

Preço dos leitores cai pela metade

O professor explica o porquê de a cor azul estar presente no nome do novo disquinho:

É um blue sem o e no final, porque o laser dos aparelhos que fazem a leitura tem a cor azul meio violeta. No DVD e CD, o laser que se usa tem cor avermelhada. Com certeza teremos aparelhos com duas possibilidades de leitura. O que todo mundo vai fazer é lançar hardwares capazes de ler DVD e blu-ray. Pode formatar no mesmo estilo de um DVD.

Para Clua, a indústria sabe que está prestes a passar pelos mesmos percalços que existiram na transição do VHS para o DVD.

O aparelho novo é muito mais caro do que os que estão na praça exemplifica.

Vai depender de uma campanha da indústria. Só vai se tornar comum no momento que ouvir um barateamento do hardware.

Ele arrisca que até julho de 2009 vai cair pela metade o preço dos leitores, que hoje é de mais ou menos R$ 1.500.

Os aparelhos permitem que use uma TV normal, sem ser full HD ou de alta definição, mas o leitor diminui a resolução.

Os primeiros títulos do formato apareceram no catálogo do Submarino em maio de 2006, dono de um dos maiores acervos, com mais de mil itens diferentes em edições nacional e importada. A Saraiva tem uma parte da seção de DVDs em que expõe blu-rays como os de Homem de ferro, Indiana Jones e o reino da caveira de cristal e Wall-E, que custam entre R$ 59,90 e R$ 159,90. Outras lojas que já apostam no formato são Siciliano (219 produtos cadastrados no site) e Fnac (579 discos).

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