DJ e sambista opinam sobre criação da Casa do Hip Hop

JB Online

RIO - Podia ter algo de funk

Por DJ Sanny Pitbull

Acredito que qualquer tipo de apoio ligado à cultura é sempre bem-vindo. Mais ainda se for destinado principalmente para a população de baixa renda e da periferia. Qualquer tipo de ajuda por parte do governo e empresas particulares pode ter um impacto muito grande. Se fosse apenas uma casa de percussão já estaria valendo. A cultura ajuda no combate à violência, então eu vejo com bons olhos qualquer tipo de iniciativa nesse sentido.

O fato de o hip hop ser mais uma expressão de São Paulo é relativo. Temos realmente mais bailes funk no Rio do que festas de hip hop, mas em Madureira existe uma cena muito forte, mesmo que poucos saibam.

Na Lapa existe um grande baile funk mensal, que é o Eu amo baile funk, e mais algumas outras coisas menores, mas o hip hop está muito presente no bairro. Porém, não existe um espaço grande para as batalhas, para os adeptos do gênero em geral. A não ser quando acontece um show grande, como Racionais ou MV Bill.

Por isso acho muito bom que se crie um espaço, independentemente de ser Casa do Hip Hop ou do Samba. Puxando para o meu lado, poderia ter alguma coisa ligada ao funk. Acho que seria muito interessante, com oficinas de DJs, aulas de dança, de canto... Seria uma coisa bem legal, até porque essas aulas não são nada baratas.

(Sanny Pitbull é DJ e produtor cultural)

Não pode ter só uma Lapa

Por Dudu Nobre

Lá em Madureira tem um movimento forte de hip hop, então sugiro que se faça um espaço para o samba lá como contrapartida, que tal? Seria um bom contraponto à Casa do Hip Hop na Lapa.

Tem uma rapaziada do hip hop que só freqüenta o movimento da Lapa e outra que só vai em Madureira, no baile embaixo do viaduto. Assim como a Lapa tem tradição do samba, acho bom que outros lugares passem a ter a tradição que a Lapa tem, levando adeptos para essas outras regiões.

Qualquer coisa relacionada ao ensino, à música, à cultura, seja samba ou hip hop, só vai funcionar se tiver alguém do movimento envolvido. Acho legais essas inciativas, mas só vejo êxito se não for uma coisa gerida apenas pelo poder público.

O projeto vale, o hip hop tem expressão ali na Lapa, com várias batalhas de MCs acontecendo, mas, veja bem, no meio do samba tem muita gente do governo que quer montar projetos diversos, mas eles acabam não acontecendo justamente porque não envolvem pessoas do samba. Para poder a coisa fluir, tem que ter alguém do movimento junto, não tem jeito. E aí não importa se é samba, hip hop, funk ou qualquer gênero musical.

(Dudu Nobre é cantor e compositor)