Bolívar Torres, Jornal do Brasil
RIO - Depois de Um mundo perfeito e Sobre meninos e lobos, Clint Eastwood volta ao tema da ameaça contra uma criança conflito que o cineasta define, com razão, como a forma mais alta de drama .
Assim como os longas anteriores, A troca questiona as motivações e os efeitos morais da crueldade humana, numa espécie de inventário da violência nos EUA que o diretor parece nunca esgotar.
Sem dúvida um dos maiores cineastas vivos, Eastwood continua uma referência da narrativa clássica e sobriedade estética. Como os velhos mestres da idade de ouro do cinema, não se deixa seduzir por artifícios de mise-en-scène ou efeitos ostentatórios.
Ajudado pela fotografia densa e obscura de Tom Stern, busca as zonas de sombra de seus personagens. Porém, é uma pena que A troca não consiga tirar de sua história bizarra e inacreditavelmente real a mesma complexidade dramática e filosófica presentes nas recentes obras-primas do diretor.
A sua maior fraqueza é depender demais da performance morna de Angelina Jolie que, sem carisma, não consegue cativar o espectador.