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Cantora mexicana Julieta Venegas cai nos braços de Jaques Morelenbaum

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Braulio Lorentz, JB Online

RIO - A relação de proximidade entre a cantora e compositora mexicana Julieta Venegas e o Brasil é resumida pela forma carinhosa com a qual trata o maestro Jaques Morelenbaum, co-produtor e co-diretor do Acústico MTV (2008), disco que abastece o repertório de seu primeiro show carioca, hoje, no Canecão. É sempre no diminutivo que o regente é tratado.

Comecei todo o projeto a partir de uma visita ao Rio para conversar com Jaquinho. O show é o fim de um ciclo. Foi uma coincidência podermos marcar essa data, a última da turnê conta Julieta em entrevista por telefone ao Jornal do Brasil, de Buenos Aires.

O músico argentino Gustavo Santaolalla, que canta e toca banjo em Algún día (e produziu os dois primeiros álbuns da mexicana), foi quem sugeriu o nome de Morelenbaum. As idéias para o CD foram concebidas no Rio, em novembro do ano passado.

Escrevi um e-mail para Jaquinho e ele foi muito mente aberta. Não conhecia meu trabalho, então enviei meus discos lembra Julieta, que já vendeu mais de 4 milhões de cópias em sua carreira. Não éramos muito bons pelo telefone. O espanhol dele é excelente, mas eu falo muito rápido. Foi mais fácil nos encontrarmos.

Morelenbaum está confirmado na apresentação. Seis músicos dos 14 que estiveram no Acústico vão ser substituídos por ele e mais cinco instrumentistas brasileiros.

Vou participar bem mais do que imaginava adianta Morelenbaum. O show pintou na última hora. Se tenho que arrumar um violoncelista, eu mesmo toco. Vai ser como uma confraternização de fim de ano. Vamos comemorar a conquista dos dois Grammys Latinos.

Julieta, que aqui no Rio chegou a se encontrar informalmente com Chico Buarque e Caetano Veloso, foi a vencedora nas categorias Melhor Álbum de Música Alternativa e Melhor Vídeo Musical Versão Longa. O primeiro show no Brasil foi no fim de agosto, no Auditório Ibirapuera, em São Paulo.

Foi uma surpresa. Não pensei que o show seria tão grande. Os brasileiros são gente muito... generosa avalia a cantora.

Em vez de aproveitar o convite da MTV Latina para, no disco, se apresentar aos que não ouviram seus quatro CDs anteriores, ela optou por repaginar canções e incluir quatro inéditas, entre elas Ilusión, dueto com Marisa Monte, que não vai cantar hoje por causa de um compromisso familiar.

Mudar arranjos era uma intenção. O Acústico é um concerto, com leituras distintas explica. Tem que ser uma redenção das músicas. Queria mudar e nunca havia trabalhado com alguns dos instrumentos. Fiz isso para buscar uma instrumentação acústica, com ukelele, cavaquinho e vihuela, um instrumento típico mexicano.

E o que dizer de cantoras conterrâneas como Ximena Sariñana e Natalia Lafourcade?

Natalia é talentosa e toca tudo o que colocam nas mãos dela. Ximena conheci pelo MySpace e por lá conversamos. Ela tem uma voz linda e é de outro mundo, o do jazz. Há outras, como Ely Guerra e Lila Downs, que tem uma combinação interessante com música folclórica.

Julieta ainda não pensa em seu quinto disco de inéditas.

Quero descansar um pouquinho, depois de todo o trabalho com o CD e a turnê.