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Vera Nunes, atriz do cinema brasileiro, é tema de biografia

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JB Online

RIO - Conhecida como a Bonequinha do Cinema e a Namoradinha do Brasil, a atriz Vera Nunes foi uma das maiores estrelas que o cinema nacional já conheceu.

Seu depoimento à jornalista Eliana Pace, repleto de detalhes de uma das épocas mais ricas das artes brasileiras, rende o livro Raro Talento é um lançamento da Coleção Aplauso Série Perfil, da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.

Filha de portugueses e batizada Izaura Nunes Henriques, Vera começou a trabalhar como radioatriz no Teatro da Mocidade da rádio do Ministério da Cultura aos 16 anos.

Não demorou muito para estrear no cinema com o filme carnavalesco Noites de Copacabana, de Leo Marten. Conforme suas próprias palavras, nunca teve dificuldades para trabalhar: os convites eram freqüentes e ela atuou em mais de uma dezena de filmes.

Foi protagonista de um dos períodos de maior efervescência do cinema brasileiro, quando aconteceram diversas tentativas de industrializar a produção cinematográfica. Era o tempo da lendária Companhia Vera Cruz e da Maristela, onde atuou em sucessos como Presença de Anita e Suzana e o Presidente a convite do diretor italiano Ruggero Jacobbi.

Foi ainda a primeira atriz a atuar em uma produção estrangeira, Não me Diga Adeus, de Luís Moglia Barth. No livro, ela relembra que durante as filmagens na Argentina, sua mãe, que a acompanhava nas gravações, pôde rever um irmão com quem não se encontrava há muitos anos.

Estreou nos palcos com a peça Como os maridos enganam, de Paul Nivoix, e a partir daí construiu uma sólida carreira também no teatro, onde contracenou com Paulo Autran, Tônia Carrero, Walmor Chagas, Carlos Zara, entre tantos outros.

Em seu depoimento, Vera Nunes conta ter optado por parar de fazer cinema quando chegou o Cinema Novo:

- Não tiro o valor desses filmes e nem seus méritos, mas eles não deixaram espaço para os outros. Então, para mim, as comédias, as histórias românticas tinham acabado. Eu não tinha perfil para ficar mostrando o corpo, essa história da exposição da mulher se não tinha feito quando era mocinha, quanto mais com uma certa idade. Então, fui me afastando.

Seguiu com a carreira na televisão e, sobretudo, nos palcos, chegando, inclusive, a ter a sua própria companhia teatral.