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Banda liderada pela filha de Glauber Rocha une música e cinema ao vivo

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Ricardo Schott, Jornal do Brasil

RIO - Liderada pela cantora e cineasta Ava Rocha, filha do cineasta Glauber Rocha e da artista plástica e cineasta Paula Gaitán, a banda Ava não chega a ser antipop. Mas é quase isso. O grupo estréia nesta quinta-feira temporada no Cinemathèque, casa de Botafogo vizinha às salas do Espaço e do Estação, escolhida apropriadamente para a ligação entre música e cinema proposta pela cantora.

Às canções somam-se as paisagens sonoras criadas pela VJ Moana Mayall. Um trabalho que Ava diz ser relacionado ao do pai, vítima de câncer quando ela estava com 2 anos, em 1981.

Fomos muito influenciados pela maneira como ele via a relação entre música e imagem. diz Ava, cujo nome completo, bem ao gosto da irreverência do pai, é Ava Patrya Yndia Yracema Gaitán Rocha.

Temos canções mais abertas, mas também criamos sons para as projeções e vamos interferindo no que é exibido. Não é um improviso total, temos uma base pré-moldada.

Cineasta de formação, Ava que, na banda, conta com os amigos Emiliano 7 (violão, guitarra e baixo), Daniel Castanheira (percussão, guitarra, baixo) e Nana Love (violoncelo, teclado e voz) vinha de trabalhos como a montagem do filmes Estrada real da cachaça, de Pedro Urano, quando optou pelo canto.

A mudança surgiu em ambiente propício: ao trabalhar com o diretor José Celso Martinez Corrêa na produção da peça Os sertões, foi chamada ao palco por ele para cantar.

Depois, perdi a insegurança e comecei a fazer pesquisas musicais diz Ava, que, com a banda, interpreta temas que fogem do formato canção e ganham ares cinematográficos, como Mica micron, Ciranda e Filha da ira.

Influenciada por uma gama de nomes tropicalistas, como Hélio Oiticica, Caetano Veloso, Torquato Neto e Jards Macalé que por sinal participa do show cantando sua Movimento dos barcos e Rio de Janeiro, poema de Glauber musicado por ele Ava não vê em sua banda um retorno ao desbunde, mas diz ter herdado dele a vontade de arriscar.

Queremos trabalhar com os desafios de hoje diz a cantora, que não planeja ainda um disco com a banda e está escrevendo um roteiro de cinema, Vento sul, para 2009.

Por enquanto, vamos nos dedicar aos shows e avançar bastante em poesia, musicalidade e pensamento.