Julio Iglesias diz que só pára quando público não quiser mais ouvi-lo

Marco Antonio Barbosa, Jornal do Brasil

RIO - O texto de apresentação à imprensa o chama de o maior cantor romântico de todos os tempos e em seguida cita estatísticas impressionantes: 77 álbuns gravados, mais de 250 milhões de cópias vendidas em 14 idiomas, 2.600 Discos de Ouro e Platina.

Conversando com o Jornal do Brasil por telefone, Julio Iglesias De la Cueva, 65 anos completados em 22 de setembro, soa despido de toda a pompa que a assessoria tenta colar nele.

O maior de todos os tempos? Puxa, o que é isso? Diria que se a lista tivesse 1 milhão de cantores, eu poderia estar nela. Mas lá pelo meio, nem muito perto do topo, nem muito perto do fim brinca Iglesias, que atendeu ao telefonema do Jornal do Brasil em sua casa instalada à beira-mar numa ilha em Bay Harbour, Miami (EUA).

A bem-humorada falsa modéstia certamente faz parte do segredo do sucesso do cantor espanhol, que se apresenta dias 14, 15 e 18 no Vivo Rio. Chegando aos 40 anos de carreira, Iglesias passou pelo Brasil pela última vez em março, quando cantou em sete cidades, mas não no Rio; era a primeira visita do cantor desde 1998. Na época, em entrevista à imprensa paulista, disse temer não ser tão famoso na América do Sul quanto nos anos 70 e 80.

Eu disse isso? Ora, eu dou muitas entrevistas, não lembro de tudo o que digo desconversa, rindo.

Bem, ainda hoje dependo da generosidade das pessoas para continuar cantando. E sei que vocês brasileiros sempre foram generosos comigo.

Como ex-jogador de futebol (foi goleiro do time juvenil do Real Madrid, no começo dos anos 60), Iglesias sabe que em time que está ganhando não se mexe. Vai cantar os mesmos sucessos infalíveis de ontem e sempre.

O show terá Manuela, Begin the beguine, Devaneios.... O repertório que me fez famoso nos anos 70 conta o cantor, dizendo que, para se manter por 40 anos fiel a um mesmo estilo, é preciso muita disciplina.

Comparo essa dedicação à música a um vício. É algo que me domina física e psiquicamente.

Na estrada desde 1968 (já fez cerca de 5 mil shows), diz-se espantado com a longevidade de sua carreira:

Há 40 anos, nunca imaginaria que ainda estaria aqui fazendo o que faço afirma.

Há algumas semanas encontrei-me com Charles Aznavour, que tem 84 anos e ainda pergunta a si mesmo: Me aposentar? Por quê? .

Concordo com ele. Só vou parar de cantar quando o público disser que não quer mais me ouvir.

Em sua lista pessoal de dignos sucessores ao trono da canção romântica, Iglesias arrisca um nome previsível e outro nem tanto:

Meu filho Enrique, claro, pode seguir meus passos. Mas também gosto muito do Justin Timberlake diz, apontando artistas como Paul McCartney, Elton John e Neil Diamond como outros favoritos.

Amado por milhões de pessoas de origem hispânica em todo o mundo, o cantor sabe que boa parte de seu público se sacrifica para acompanhá-lo.

Vivemos uma época de crise mundial e são as pessoas pobres que sofrem mais. Não é fácil comprar discos e pagar ingressos de shows. É mais um motivo para ser grato a meus fãs reconhece.

A música, especialmente a romântica, é um bálsamo, uma linguagem universal em tempos difíceis.

Um bálsamo que funciona melhor em ouvidos femininos. Mesmo já tendo idade para não pagar passagem de ônibus, este latin lover quintessencial ainda arranca carradas de suspiros.

Cantei para 25 mil pessoas na Austrália há pouco tempo. Havia uma enorme quantidade de jovens admiradoras na platéia... recorda, suspirando.

Cantei para as avós delas, para suas mães e agora canto para elas.

Então é verdadeira a conta da revista britânica Maxim, que em 2006 pôs o espanhol em quarto lugar no ranking das maiores lendas vivas do sexo , tendo conquistado (segundo a publicação) mais de 3 mil mulheres?

Isso é apenas uma lenda, como a própria Maxim escreveu esquiva-se.

E eu vivo no mundo real, não no mundo das lendas. Não acredite nisso. Aprendi com meu pai a amar as mulheres, respeito-as muito e aprendo muito com elas.

Utilizamos cookies essenciais e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa Política de Privacidade.
Ao continuar navegando, você concorda com estas condições.
Saiba mais