Braulio Lorentz, Jornal do Brasil
RIO - Foi com um exemplar do clássico Getz/Gilberto (1964) que a pianista e cantora canadense Diana Krall, 43 anos, teve seu primeiro flerte com a bossa nova, gênero que homenageia nesta quinta-feira (em concerto apenas para convidados), sexta e sábado, no Vivo Rio, no parque do Flamengo.
No último dia, grava seu segundo DVD ao vivo, Live in Rio. Ao som do saxofonista americano Stan Getz e de João Gilberto, ela começou a estabelecer uma ligação com o Brasil, reforçada por quatro passagens anteriores para apresentações.
O show tem canções ou standards com arranjos que lembram a bossa nova conta a cantora, em entrevista ao Jornal do Brasil.
Pesquisei bastante para chegar ao repertório e ouvi muito Tom Jobim. As idéias surgem, então parto para o piano, onde as desenvolvo.
Caymmi, Joyce e Elis
O contato de Diana com o piano teve início aos 4 anos. Com 15, começou a se apresentar em restaurantes na cidade de Nanaimo, no Canadá.
Performances como cantora passaram a ser comuns só 11 anos depois. Foram selecionadas para o tributo aos 50 anos da bossa nova versões de Quiet nights (Corcovado), de Jobim, e The boy from Ipanema adaptação da letra de Garota de Ipanema, parceria de Tom e Vinicius que ganhou o mundo.
Às vezes, gosto de me dedicar a um artista só. Vou ao iTunes e compro discografias completas. Estou imersa na obra de Caymmi, Joyce, Elis Regina. E Tom Jobim, sempre elege a canadense.
O fascínio pelo autor de Desafinado, Águas de março e Só tinha de ser com você é resumido por uma ação durante um dos ensaios para a gravação de Live in Rio.
Tão logo avistou uma pilha de CDs de Jobim deixada num canto, a cantora pegou-a para gravar em seu computador. Outra de suas referências obrigatórias é a obra de Caetano Veloso.
Adoro as reações das platéias no Brasil. Costumava reparar isso antes de me apresentar aqui recorda Diana.
Os brasileiros cantam nas gravações dos CDs. As platéias ajudam o artista, e isso é ótimo. Ouvia os álbuns ao vivo do Caetano Veloso e ficava impressionada com a vibração do público nas apresentações.
Na primeira escala no Rio, nesta quinta-feira, ela se apresenta ao piano com sua banda, que tem John Clayton (contrabaixo), Jeff Hamilton (bateria) e Anthony Wilson (guitarra).
Nos dias seguintes, está confirmada uma orquestra composta por 36 músicos.
Mesmo bem acompanhada em todas as noites (incluindo shows em Curitiba, no dia 3; e São Paulo, no dia 5), lamenta não estar com seu marido, o cantor britânico Elvis Costello, e os filhos gêmeos Dexter e Frank, de pouco menos de 2 anos.
Ele está com os garotos em casa, em Vancouver (Canadá). É difícil ficar longe, mas de vez em quando eles viajam comigo para um ou outro show na Europa conta.
Mesmo sem a família, Diana aproveita o tempo livre no Rio para reencontrar com a orla tão cantada pelos artistas que ouve.
Queria ir a Copacabana, mas ainda não tive tempo. Pelo menos consigo ver a praia aqui do hotel onde estou consola-se.
Em Ipanema já fui muito. E fiquei um dia inteiro no Jardim Botânico.
Não foi só Costello que a cantora deixou em Vancouver. O professor de português de Diana também ficou por lá.
Vivo sempre em turnê e sou mãe de dois filhos, então não tenho tempo para estudar o idioma explica.
Espero que, durante este tempo em que eu estiver no Brasil, possa ficar imersa na cultura brasileira. Se tivesse mais tempo, estudaria a língua e sairia daquelas coisas básicas como: Qual seu nome? ou Como vai você? .
Somam-se às versões de Corcovado e Garota de Ipanema temas de seu repertório, como I've grown accustomed to your face, Too marvelous for words e Every time we say goodbye.