Marco Antonio Barbosa, Jornal do Brasil
RIO - Desde a época em que ainda tinha uma marca de cigarro pendurada no nome, o Tim Festival primou por trazer ao Brasil as novidades mais quentes do pop internacional. A edição de 2008, realizada na Marina da Glória na quinta, sexta e sábado, vai entrar para a história do evento como a primeira na qual uma solitária atração brasileira leia-se Marcelo Camelo foi o destaque absoluto em uma programação pop esvaziada de astros internacionais relevantes.
Fazendo a estréia de sua carreira solo no Rio, o fundador dos Los Hermanos fez o show mais badalado de um Tim que viu ingressos de todos os palcos encalharem, com artistas obscuros e "apostas" de qualidade duvidosa. Num aceno irônico aos primórdios do festival, ainda na era do Free Jazz, foram os nomes do palco jazzista (Sonny Rollins, Enrico Pieranunzi, Carla Bley) que garantiram o brilho na escalação.
Diante deste cenário árido, ficou fácil para Marcelo Camelo faturar o posto de grande show do Tim Festival. Muito aguardado em seu retorno ao Rio (está em turnê de seu disco solo, Sou, desde o mês passado), o compositor tornou-se a maior atração do palco Bossa Mod com a desistência de Paul Weller. E na noite de sábado, conseguiu vencer a atitude blasé típica da audiência do festival; muitos na platéia cantavam as músicas do disco.
A resposta do público foi incrível. Foi bem diferente do show de São Paulo, onde a galera foi um pouquinho mais fria e o espaço estava um pouco mais vazio. Aqui estava quase lotado comparou Camelo logo após o show. Foi maravilhoso, espero que no Canecão (onde o cantor se apresenta dias 13 e 14 dezembro) a experiência se repita.
A platéia, crivada de notáveis, aplaudiu tanto as canções do disco novo (como Doce solidão, Teo e a gaivota e Mais tarde) quanto o aceno ao repertório dos Los Hermanos (Morena). O show teve direito a um longo e barulhento interlúdio instrumental e terminou em clima de carnaval nostálgico, com a marchinha Copacabana.
Não conhecia as músicas novas, mas vim ao show confiando no talento dele. Não me arrependi afirmou o ator Eduardo Moscovis, acompanhado da mulher, a modelo e apresentadora Cynthia Howlett.
Moscovis não era o único que apostou em Camelo mesmo sem ter ouvido o disco solo. O DJ e ator Rodrigo Penna também conferiu a apresentação "no escuro":
Larguei o show dos Klaxons no meio e vim correndo para cá. Estava muito curioso para conhecer a carreira solo do Marcelo.
Pedro Luis, que vibrou com o show de abertura do Bossa Mod (afinal, a estrela foi sua mulher, a cantora Roberta Sá), elogia:
Adorei a canção Menina bordada, foi o ponto alto.
O compositor Otto era um dos poucos que já haviam ouvido Sou antes do show e conta:
Gosto muito do trabalho do Camelo. É uma fase nova para ele, eu também já saí de banda, sei bem como é isso, sempre é complicado. Mas ele está indo superbem.
A legião de fãs dos Los Hermanos conteve sua conhecida exataltação, mas aprovou a performance.
Não dava para perder essa estréia. Fico triste pelo fim do grupo, mas com esse show ficou claro que o Amarante e o Camelo têm estilos bem diferentes e que a separação era inevitável discursa a designer Bianca Romano, admiradora inconteste dos LH.