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Violência urbana continua em cartaz na abertura do Festival do Rio

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Leandro Souto Maior, JB Online

RIO - A coisa está feia mesmo. Pelo menos na telona. Mas se a arte imita a vida, é por aí mesmo. Boa parte dos recentes filmes brasileiros de grande repercussão trata de alguma forma da violência urbana, com destaque para o Rio de Janeiro como mais comum cenário.

A lista inclui títulos como o documentário Ônibus 174, Cidade de Deus, Tropa de Elite, Meu nome não é Johnny, Era uma vez..., e o mais recente, Última Parada Ônibus 174, de Bruno Barreto (O Que É Isso Companheiro?), inspirado pelo primeiro e que é o filme de abertura da edição da edição deste ano do Festival de Cinema do Rio, nesta quinta-feira, apenas para convidados, no Odeon. A missão na edição passada foi de Tropa de Elite.

Cada um dos filmes 'listados' acima tem sua peculiaridade ao tratar o tema. Desta vez, nada de Wagner Moura, Selton Mello ou Seu Jorge. Última Parada Ônibus 174 é estrelado por atores pouco experientes. E não duvidem: convencem tanto, ou mais, que os globais.

O filme é uma ficção em cima da inacreditável tragédia real do ônibus 174, transmitida ao vivo no ano 2000. O roteiro é de Bráulio Mantovani (Cidade de Deus), e Michel Gomes (que quando menino também participou de... Cidade de Deus!) é o protagonista na tela. O jovem ator tinha 17 anos quando Bruno Barreto o escolheu para fazer o papel principal.

- O Rio de Janeiro dispõe de muitos grupos de formação de atores em comunidades carentes, como o Nós do Morro. Os atores principais do filme são provenientes desses grupos conta o diretor. Foi a primeira vez que ele passou por essa experiência, de trabalhar com um elenco de atores não profissionais. A intimidade com o meio não garantiriam o êxito da interpretação, muitos deles mirins, com idades entre 12 e 18 anos.

- A preparação dos atores foi feita (pelos irmãos Rogério e Ricardo Blat) com um roteiro sem diálogos. Eles eram estimulados a propor as falas. E era impressionante como as improvisações se aproximavam dos diálogos escritos revela o diretor.

E tome de 'passa a grana, p#@%*orra!', 'Atira, filha da p&*?@#!' e 'vai tomar no c*&%%$@!'. Como na vida real, mano, eu vi igual naquele filme do Bope. Bruno Barreto romanceia em cima da história da vida do jovem protagonista do triste espetáculo no Jardim Botânico. Mas não há propriamente um vilão em seu enredo.

- Há momentos em que você gosta dos personagens, e outros que você os odeia. Em outros momentos, você se sente desconfortável pela identificação com quem supostamente não deveria. Acho que o filme é bom para provocar esses sentimentos contraditórios diz Barreto. O resultado emociona. Segura bem o mérito de ter sido apontado para representar o Brasil no Oscar. Parece mesmo que os gringos adoram saber e ver de perto (desde que em suas confortáveis poltronas das modernas salas de cinema) os conflitos e mazelas do terceiro mundo.

A primeira exibição de Última Parada Ônibus 174 aberta ao público será nessa sexta-feira, às 17h30, no Palácio 1, depois só entra em cartaz no dia 24 de outubro.

Como de costume, o Festival do Rio traz uma programação extensa, uma maratona impossível de ser completada (confira no site: https://www.festivaldorio.com.br), mas saiba que estarão desfilando pelas telas cariocas - naquelas oportunidades de veja agora o que só vai entrar em cartaz daqui a tempo indeterminado , ou ainda veja agora ou nunca mais novidades de diretores, como Woody Allen e os irmãos Coen, e atores consagrados, como George Clooney e Scarlett Johanson. O Brasil marca forte presença, com a estréia do ator Matheus Nachtergaele na direção, e novos de Julio Bressane e Domingos de Oliveira, entre muitas outras novidades.