Portal Terra
SÃO PAULO - A primeira entrevista para a imprensa da 65º edição do Festival de Veneza prometia muito por seu 'quilate' reunido à mesa. Ladeando os irmãos Joel e Ethan Coen, diretores de Burn After Reading, filme fora de competição, estavam os atores Brad Pitt e George Clooney e as atrizes Frances McDormand e Tilda Swinton. Juntos, pareciam formar uma brigada que evitou questões pessoais e políticas e não raro negou-se a responder pérolas como 'se preferiam estar aqui ou no meio do deserto americano' ou ainda 'o que achavam da mulher brasileira' (para Clooney e Pitt).
Uma televisão espanhola entrou ao vivo para que sua representante, em curto figurino, tentasse um autógrafo de Pitt. E vieram as habituais curiosidades sobre os filhos dele com Angelina Jolie, adotados ou não, além dos amores de Clooney. Pouco se debateu sobre a fita, uma ótima combinação de comédia negra com crime e espionagem, fórmula que os cineastas parceiros dominam como poucos.
Mas a conversa ganhou ao menos algum contorno sério quando Clooney respondeu, por exemplo, como era completar neste filme uma trilogia do tipo 'idiota' em filmes dos irmãos Coen. O ator, que interpreta um marido que trai sua mulher com encontros fortuitos marcados na Internet, mas cai na própria armadilha, trabalhou anteriormente com os diretores em E Aí meu Irmão, Cadê Você? e O Amor Custa Caro.
- O personagem pode ser um idiota, mas filmar com Joel e Ethan nunca é - disse Clooney. - E isso faz toda a diferença, pois é difícil dizer quem é e quem não é idiota nesta fita; esse olhar cínico é a grande habilidade deles.
Pitt também tem sua cota de idiotia na fita, como um professor de ginástica atrapalhado e pouco perspicaz. - É pura diversão, tenho certeza que não há por parte dos diretores nenhuma conotação política sobre nós atores - brincou. Comentou-se também sobre o modo de trabalhar com os Coen, improvisado ou não. - Não há nada do que improvisar; Joel e Ethan Coen escrevem muito bem e o roteiro chega pronto, com tudo que precisamos, só basta saber ler. - disse Frances McDormand, mulher de Joel Coen e atriz recorrente da dupla.
Em Burn After Reading - no contexto do filme, relaciona-se a destruir um documento confidencial depois de lê-lo - ela é um dos vértices da trama, sócia de uma academia de ginástica que sonha em fazer uma cirurgia plástica. A chance de conseguir dinheiro para tanto aparece quando seu sócio (Pitt) encontra um CD com prováveis informações confidenciais da CIA, o serviço de inteligência americano. O disco pertence a um analista (John Malkovich) da agência, que acaba de ser demitido e ainda está em conflito com a mulher (Tilda Swinton). Esta, por sua vez, tem um caso com o personagem de Clooney. Aos poucos, o círculo de traições e intrigas está formado e só se desata com inesperadas reviravoltas.