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O Rappa estará presente no maior festival independente do Brasil

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Braulio Lorentz, Jornal do Brasil

NATAL - Não foi por falta de idéias que o quarteto carioca O Rappa ficou cinco anos sem lançar um álbum de inéditas. Seus integrantes garantem: foi a intensa agenda de shows que atrasou o lançamento do novo trabalho, 7 vezes. Enquanto o CD é despejado nas lojas, o grupo continua com a interminável turnê do disco Acústico MTV. Era para durar sete meses, mas já contabiliza mais de três anos. Com o mesmo repertório desplugado, a banda pela quarta vez toca na noite de abertura do festival Mada Música Alimento da Alma, que começa nesta quinta-feira, em Natal, e vai até sábado, quando também se apresenta o grupo carioca Macanjo que levou a melhor no festival BdeBanda 2007 (promovido pelo Jornal do Brasil). A banda NV, vencedora das Seletivas Laboratório Pop-Mada, também apoiadas pelo JB, toca nesta quinta.

A trajetória do Rappa se confunde com a do Mada, que completa em 2008 10 anos. Eles têm uma força muito grande em Natal. Temos uma parceria; a banda facilita na hora de negociar o cachê. Um dos motivos da troca de data do festival, que tradicionalmente é realizado em maio, foi poder ter O Rappa na programação conta o organizador Jomardo Jomas.

Xandão, guitarrista d'O Rappa, confirma a identificação: Fomos o primeiro grupo de grande sucesso a ir ao Mada e conhecer a história dos festivais independentes. Nossa estrutura é cara. Tocamos com carinho, mas com outros shows marcados por perto para diluir o custo.

O Mada é notório por revelar bandas. Nomes como Detonautas e Pitty deixaram suas primeiras pegadas lá. As cariocas NV e Macanjo esperam seguir esses passos.

É uma oportunidade de mostrar que, mesmo com nossas limitações, temos uma relação estreita com o show. Queremos acentuar a característica dançante do nosso som diz André Aquino, vocalista do Macanjo.

O Rappa dá vez a novatos

Independentes e em começo de carreira, Macanjo e NV se juntam ao Rappa, com 16 anos e tiragem inicial de 100 mil cópias do novo álbum lançado pela Warner.

Queremos dar chances a novas pessoas. Poderíamos fazer outra capa de disco com o Espeto (grafiteiro) ou gravar outro clipe com direção da Kátia Lund, mas preferimos dar força para quem é talentoso e está começando explica o vocalista Falcão.

Ele se refere à escolha da dupla de produtores do CD, Ricardo Vidal e Tom Sabóia. Foi idéia dos dois o caráter mais orgânico da gravação do disco.

Eles vieram com o projeto. O orgânico da história é por termos nos envolvido no processo desde o começo. Seria mais fácil resolver os problemas no computador, gravar em meia hora e na mixagem estaria tudo resolvido. Mas não teria uma identidade justifica Xandão.

A banda fez mais de 100 bases antes de chegar às 14 músicas do CD e os integrantes, especialmente Marcelo Lobato, tocaram uma infinidade de instrumentos.

Toquei até um santoor (instrumento indiano de cordas). Dizem que se leva uma vida inteira para aprender a tocar e outra vida para aprender a afinar brinca Lobato. No caso do violoncelo, vi a Adriana Calcanhoto tocando e pensei: Se ela toca, posso também . Se puser nossas músicas naquelas revistinhas de cifras, elas dão no máximo quatro acordes. Mas o lance é que fabricamos camadas: DJ, guitarra, baixo... Há uma densidade. É uma trilha sonora para o texto.