Referência do forró-brega, Genival Lacerda, vira tema de documentário

Hugo Cals, JB Online

RIO - Em 2004, quando Genival Lacerda foi convidado para fazer uma participação especial no longa de ficção Foliar do Sertão , da cineasta Carolina Paiva, nem o cantor nem a diretora poderiam imaginar que dali surgiria uma produtiva parceria. Carolina, então, começou a filmar Genival em entrevistas e shows ao vivo. A partir deste material, a cineasta está montando um documentário sobre este ícone do forró-brega, com previsão de lançamento para dezembro deste ano.

Com o título de O Rei da Munganga , o documentário tem como objetivo destrinchar a vida e obra deste compositor nordestino, nascido em Campina Grande, na Paraíba, em 1931. Na ativa aos 77 anos de idade, Genival Lacerda acumula no currículo sucessos como Severina Xique Xique , De quem é esse jegue? e Radinho de Pilha , além de 40 LPs lançados e inúmeros CDs. Sem dúvida um verdadeiro ícone popular.

O novo filme da cineasta, que está em fase de pós-produção, é mais uma produção de sua carreira onde a música é a característica principal. Antes de rodar O Rei da Munganga , Carolina já havia produzido documentários sobre o funk carioca, sobre o samba (focado na Estação Primeira de Mangueira) e sobre ritmos populares brasileiros.

Segundo a cineasta, que conversou com o JB Online, a idéia de compor um filme sobre o compositor surgiu meio que por acaso, a partir da participação do cantor no filme de ficção da cineasta, Foliar Brasil , de 2004. Nele Genival interpreta o coroné João .

- Ele chegou no set e encantou a equipe toda. Chegou a se intrometer numa cena do filme, pois tinha um personagem que era uma costureira, e ele cruzou a fazenda aonde estávamos filmando e gritou: "Paivinha essa costureira tem que ser costureiro e gay; tá cheio aqui...". Aí não tive como não fazer; e a cena ficou com um costureiro gay, que ainda usou como figurino uma roupa de Genival.

Carolina contou que foi a partir daí que surgiu a idéia de rodar o filme, mas somente um ano depois a cineasta teve certeza de que filmaria com Genival. Foi depois de assisti-lo se apresentar no Forrócaju, em São João do Aracaju, no Sergipe, para um público de 100 mil pessoas que cantavam todas as suas músicas em coro. Na hora de filmar, a cineasta contou que o cantor mostrou-se sempre simpático e receptivo.

- O contato com ele é sempre divertido, ele fez 77 anos, agora em junho; mas parece que tem 20 anos. É um eterno jovem, pois só anda com eles; já que seus músicos na sua maioria são jovens. Sempre foi super receptivo, assim como o seu filho que também é o produtor dele, João Lacerda. Ele entrou no filme como co-produtor; eu converso sobre tudo com o João, desde os elementos de pesquisas que preciso até a falta de patrocínio.

A cineasta contou que atualmente, depois de rodar com Genival no Nordeste e no Rio, está em busca de um patrocínio final para dar início a pós-produção do filme, que já está praticamente pronto.

- O filme, agora, está editado off line; só precisa realmente da pós-produção; mas estamos necessitando de um patrocínio final. Se tudo der certo, em dezembro desse ano, o filme estará pronto. Pretendemos rodar festivais nacionais e internacionais e exibi-lo no Canal Brasil e na TV Brasil.

Carolina contou que depois que O Rei da Munganga for finalizado e lançado, ela irá retomar o roteiro de seu próximo longa de ficção, batizado de 98 Minutos , que foi interrompido por conta do filme de Genival Lacerda. Além disso, a cineasta também tem como sonho lançar uma TV Web no mercado, já que segundo ela não haverá diferença no futuro entre TV, internet e celular.