Tom Pfeiffer e Hassan Alaoui, REUTERS
MARRAKECH - Os amigos de Yves Saint Laurent espalharam as cinzas dele em um jardim botânico de Marrakech onde o estilista encontrava inspiração e abrigo da fama.
Mais de cem convidados, entre os quais o ex-ministro da Cultura da França Jack Lang e a estilista Paloma Picasso, participaram da cerimônia privativa ocorrida no jardim onde aves bulbul cantavam nas árvores e a luz do Sol refletia-se nas piscinas de água gelada.
Saint Laurent e Pierre Bergé, companheiro dele de longa data, compraram o Jardim Majorelle em 1980 e reformaram o local, onde muros de cobalto azul e tanques com nenúfares misturam-se aos cactos, bambuzais, palmeiras e agaves.
Hoje em dia, as alamedas tranquilas e o pequeno museu de arte islâmica presentes ali ganharam popularidade entre os turistas cansados de percorrer as ruas estreitas e poeirentas de Marrakech, tomadas por carroças puxadas por burros e pelo som da buzina de lambretas.
- Eu estou muito contente com o fato de ele ter escolhido Marrakech, esse lugar mágico, para repousar por toda a eternidade - afirmou Lang.
Saint Laurent é apontado como o responsável por mudar para sempre o visual das roupas femininas e foi o primeiro estilista a criar marcas de luxo acessíveis a um público maior por meio das inovadoras coleções prêt-à-porter.
Mas o estilista também lutou com as pressões da fama e sofreu com o consumo excessivo de álcool e drogas. Amigos afirmam que Saint Laurent encontrou paz e reclusão nos jardins, para onde costumava retirar-se após os estressantes desfiles de moda.
O estilista nasceu e cresceu na Argélia, então uma colônia francesa, e encontrou um ambiente semelhante em Marrakech quando ele e Bergé chegaram ali, no final dos anos 60.
O Marrocos inspirou algumas das ousadas combinações de cores presentes nas roupas de Saint Laurent - laranja com roxo, rosa com vermelho -, algo que lhe valeu a reputação de ser o estilista com a melhor noção de cores do século 20.
- Lembro-me de que costumávamos dirigir pelas montanhas das cercanias de Marrakech - disse Bill Willis, que mora há bastante tempo na cidade e foi amigo íntimo de Saint Laurent.
- Víamos as mulheres berbere carregando madeira e que usavam as combinações de cores mais maravilhosas - ele se inspirou muito nisso.
O estilo de vida campesino da cidade em meio a casas luxuosas também ajudou Saint Laurent a criar o visual étnico logo adotado pelos hippies. Depois de as cinzas do estilista terem sido espalhadas pelo jardim, um memorial em homenagem a ele foi inaugurado no local, disseram alguns dos presentes.