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Leci Brandão lança CD no Rio depois de anos longe de palcos cariocas

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Leandro Souto Maior, JB Online

RIO - Leci Brandão veio do subúrbio carioca. Nasceu em Madureira, foi criada em Vila Isabel, entrou para a ala de compositores da Mangueira, cantou e encantou o Rio de Janeiro e... deixou a Cidade Maravilhosa um pouco de lado para tocar sua carreira muito mais em São Paulo.

- Estou ficando muito mais lá. Eu sempre venho ao Rio, vivo na ponte aérea, afinal, aqui mora minha família. Mas meu trabalho nos últimos dez anos tem ficado muito mais presente em São Paulo, não só na capital, mas também em diversas cidades do interior do estado, onde tenho obtido resultados muito bons conta a cantora e compositora, em entrevista exclusiva ao JB Online.

- A questão do trabalho é fundamental. Sou responsável por uma família. A partir do momento que eu vi que minha música no Rio não estava sendo executada e ao mesmo tempo em São Paulo as coisas começaram a dar certo, não tive dúvidas em mudar o meu foco de atuação. O Rio me dá carinho, o pessoal das comunidades e das escolas de samba me adoram, só que eu preciso trabalhar, cantar.

A distância do Rio a afastou também de uma grande paixão, a Mangueira.

- Minha relação com a escola de samba sempre foi maravilhosa. Não tenho ido a ensaios porque eles são aos sábados, e eu tenho estado trabalhando, mas sempre que sou recrutada para shows ou eventos

estou presente. Pena é não ter podido comparecer no Carnaval. Como comento os desfiles de São Paulo na Rede Globo, fico muito cansada. E lá tem a tradição de ter shows durante o Carnaval, quando costumo me apresentar lamenta.

Mas como diz o ditado, 'o bom filho à casa torna', Leci Brandão escolheu o Rio para o primeiro show de lançamento de seu mais recente CD, Eu e o samba. A apresentação, nesta sexta-feira, tem um sabor especial. Após três anos longe dos grandes palcos cariocas, a sambista faz a primeira apresentação de sua carreira no tradicional palco do Canecão, em Botafogo.

- Já cantei no Canecão, mas nunca com um show meu, só em projetos especiais, dividindo com outros artistas. Com certeza estou bastante emocionada e a expectativa é muito grande. Não vai ter nada mirabolante, nenhuma super-produção, é o meu show que as pessoas conhecem, mas com seis músicas inéditas. Não quero tocar mais que isso do novo disco porque acho que enquanto as músicas não se tornam conhecidas, o público quer cantar junto...

Eu e o samba traz participações especiais de Simoninha, Mart'nália e Mário Sérgio, do Fundo de Quintal, mas no show quem vai dividir o palco com ela é seu grande amigo, Almir Guineto.

- Ele é um irmão querido. Gravei muitas músicas dele. Além do Almir, o show vai contar também com a participação do grupo de dança afro Atitude, uma turma humilde que eu chamo todas as vezes que faço show no Rio. Sempre chamei essa turminha para dançar no meu show. Tem uma frase da Elis Regina que diz: 'quem come o capim também tem que tomar taça de champanhe', então nada mais justo que eles estejam ao meu lado também nesta ocasião especial no Canecão.

Ligada na nova geração, Leci Brandão foi gravada recentemente por Seu Jorge e Mariana Aydar, fez música para o CD de Paula Lima, participou do DVD de Leandro Sapucahy e gravou com o grupo Casuarina.

- Artistas de novas gerações e também de outras tendências sempre me

emocionaram muito. Quando ouvi a versão do Seu Jorge para Zé do Caroço eu chorei. Gosto muito também da Mart'nália, Diogo Nogueira, Dudu Nobre, e adorei o último CD da Maria Rita revela a sambista.

O show nesta sexta-feira já promete ser histórico, por ser sua primeira apresentação no Canecão, depois de um tempo distante do público carioca, cantando em primeira mão ao vivo seis músicas inéditas e acompanhada pelo não menos talentoso Almir Guineto. A apresentação está marcada para as 22h e o endereço é Avenida Venceslau Braz, 215, Botafogo.