'Pelé não tem dignidade', diz Maradona em Cannes

Orlando Margarido, Portal Terra

CANNES - Só faltou a bola para o jogador Diego Maradona dar o show final em sua participação na entrevista do documentário que leva seu nome, dirigido pelo diretor sérvio Emir Kusturica apresentado nesta terça-feira fora da competição em Cannes.

Pode-se dizer que ele até "driblou" simbolicamente e com muito bom humor as questões levantadas pelos jornalistas, às vezes peitando o tema de frente, outras saindo pelo escanteio. Mas não recusou nenhuma jogada.

Guardou uma especialmente aos brasileiros, alfinetando Pelé e elogiando Ronaldinho Gaúcho. Sobre o primeiro, foi levado por um jornalista português a dar opinião sobre uma declaração do rival.

Pelé teria sugerido que Maradona deveria devolver todos os seus prêmios.

- Prometi a minhas filhas que não falaria mais de Pelé, mas isso é mais forte do que eu - iniciou o astro argentino.

- Lamento que ele fale isso, pois se não tivesse feito o que fiz com a minha vida, ele nem chegaria em segundo - completou, referindo-se ao seu envolvimento com as drogas.

- Pelé só sabe negociar agora, ele já foi (um jogador de verdade), e tinha que estar mais com os jogadores e não com presidentes da Fifa; portanto, ele não tem dignidade para falar de mim - completou.

Quanto a Ronaldinho Gaúcho, a situação do jogador do Barcelona inspirou um papel paternal por parte de Maradona.

- Ele é muito bom jogador, não se pode criticá-lo como estão fazendo; espero que o Barcelona o mantenha e não faça o que aconteceu com Rivaldo, Ronaldo, Romário ou Figo.

No documentário, aparece mais a pessoa política do que humana. Daí ter sido também revelador de um Maradona brincalhão a pergunta sobre quantas mulheres já havia beijado na vida.

- Ah, muitas, minha mãe, minha irmã, minhas filhas; são muitas mulheres em minha vida, pois tenho uma família de cinco irmãs; mas o beijo de minha avó é o melhor - disse.

Coube a Kusturica também um momento divertido ao ser questionado sobre sua figura sempre presente em cena, mais do que o contemplado.

- Sim, apareço mesmo; sabe por quê? Às vezes Maradona sumia, desaparecia em Buenos Aires, eu não conseguia encontrá-lo para dar continuidade ao filme; então pus eu mesmo em cena, se não, não haveria documentário.

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