Crítica - O mistério de Henri Pick: investigação literária

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A investigação inusitada sobre o mundo literário é o maior trunfo de “O mistério de Henri Pick”, de Rémi Bezançon. Ambientado na Bretanha, o filme revela o acervo de uma biblioteca que guarda manuscritos de obras rejeitadas pelas editoras e nunca publicadas. A ideia é que as pessoas possam conhecer os livros e constatar seu valor ou ler por mera curiosidade.

Numa introdução do mundo literário, a história exibe a angústia de um jovem escritor que acaba de publicar um livro e espera a atenção de um crítico famoso. A namorada dele é uma jovem editora que descobre na biblioteca dos rejeitados um romance que ela considera uma obra-prima.

A investigação é provocada pelo famoso crítico que comanda um programa de TV sobre livros. A nova publicação da editora é um texto escrito por Henri Pick, um pizzaiolo que morreu há dois anos e que, de acordo com sua viúva, nunca havia lido um livro em sua vida ou escrito nada além de uma lista de compras. O livro vira um best-seller, mas o crítico Jean-Michel Rouche duvida que o cozinheiro seja o autor. Rouche, muito bem interpretado por Fabrice Luchini é uma figura com uma dose de arrogância e uma discreta simpatia que começa a aflorar quando conhece Joséphine (Camille Cottin), a filha de Pick. Da antipatia inicial, os dois acabam por se tornar aliados na investigação sobre a vida literária secreta de Pick ou a busca do verdadeiro autor.

Bezançon, que escreveu o roteiro com Vanessa Portal, baseado no romance de David Foenkinos, cria uma dinâmica narrativa convidando a plateia a criar suas teorias sobre a autoria do livro. Há ainda uma deferência pelo estudo literário e o reconhecimento estilístico. A conclusão não é tão fascinante quanto o processo investigativo. Mesmo assim, para amantes ou não da literatura, é um filme correto. Atenção para as cenas pós-créditos.