Jornal do Brasil

Cultura

Crítica - O Golem

*** - Bom

Jornal do Brasil TOM LEÃO*, especial para o JB

Em tempos em que os filmes de terror são tão previsíveis, nada assustadores e feitos para virar série (poucos, como o ótimo ‘Hereditário’, escapam disso), é alentador assistir a este ‘O Golem’ (‘The Golem’), dos irmãos Paz (Doron e Yoav), que, antes, haviam feito ‘JeruZalem’, também na área do horror e usando referências do folclore judaico. Eles não tentam soar ‘moderninhos’ e recontam o mito de forma precisa e com exatas doses de fantástico. 

É uma nova versão para uma antiga lenda judaica, pouco explorada no cinema (embora tenha sido um dos primeiros filmes do gênero terror lançados, a versão muda é de 1920). No conto original, um rabino traz a vida o Golem, ser feito de barro, para proteger os judeus de perseguição, na Praga do século XVI. Agora, é uma mulher quem revive a criatura, sob a forma de criança, para proteger sua aldeia de ser atacada por um grupo que acha que foram eles, os judeus, que espalharam a peste negra, que está dizimando os moradores de uma vila, numa área rural da Ucrânia.

A mulher, Hanna (Hani Furstenberg) é casada com o filho do rabino. Ambos perderam um filho de 8 anos, e desde então, Hanna não consegue mais engravidar. Por isso, a escolha do roteiro (de Ariel Cohen), de, agora, o Golem voltar como uma criança. O que não torna o filme nem um pouco menos assustador ou menos violento (há cenas bastante explícitas de ação gore). O pequeno Golem mata os desafetos da mãe e, quando convocado, os invasores de sua aldeia. E, tudo sem sustos baratos ou música incidental apelativa. É pura tensão.