Quentin Tarantino volta a Cannes, concorrendo com Era uma vez em Hollywood, 25 anos após a consagração de Pulp Fiction

Aos 56 anos, decidido a desistir da direção quando chegar ao décimo filme, Quentin Jerome Tarantino vai conseguir exibir seu nono longa-metragem como realizador, o esperadíssimo painel geracional “Era uma vez em Hollywood” (“Once Upon a Time in Hollywood”) na disputa pela Palma de Ouro de Cannes. A competição está agendada de 14 de 25 de maio, tendo o diretor mexicano Alejandro González Iñárritu, ganhador do Oscar por “O regresso” (2015) e por “Birdman” (2014), como presidente do júri. A direção artística do festival francês anunciou na manhã desta quinta, 2 de maio, que a volta de Tarantino às telas – definida como uma carta de amor ao cinema americano dos anos 1960 – será exibida em competição em uma projeção 35mm. Tarantino terminou a montagem a tempo do evento, contrariando os boatos de que estaria fora do páreo, logo nesta edição, a de número 72, em que celebra os 25 anos da vitória de “Pulp fiction – Tempo de violência” (1994) por lá. Estreia no Brasil dia 15 de agosto.

Leonardo DiCaprio e Brad Pitt são seus protagonistas. A narrativa é ambientada em 1969, só que a estrela Margot Robbie, a eterna Arlequina, hoje no ápice do talento e da fama, pode roubar a cena deles ao viver a modelo e atriz Sharon Tate, que foi assassinada pela seita de Charles Mason naquela data. Al Pacino e Kurt Russell estão no elenco. DiCaprio vive um candidato a astro que só faz sucesso na Europa e Pitt encarna seu dublê.

Mais um reforço para a competição: “Mektoube, My Love: Intermezzo”, do polêmico diretor tunisiano Abdelatiff Kechiche (ganhador da Palma de 2013 com “Azul É A Cor Mais Quente”). O filme é a sequência para um díptico iniciado em 2017, no Festival de Veneza, centrado na juventude do Mediterrâneo dos anos 1990. Erotismo é sua marca. Val lembrar que Kechiche e Tarantino terão como concorrentes duas produções com o Brasil em seu DNA e seu cenário: “Bacurau”, de Juliano Dornelles e Kleber Mendonça Filho, e “Il Traditore” (“O traidor” por aqui), do artesão italiano Marco Bellocchio, com Maria Fernanda Cândido e Luciano Quirino no elenco.

Nas Séances de Minuit (as famosas Midnight Scrrenings), Gaspar Noé ataca de “Lux Aeterna”, com Béatrice Dalle e Charlotte Gainsbourg numa narrativa de 50 minutos sobre bruxas. Para a Un Certain Regard, onde Karim Aïnouz vai lançar “A vida invisível de Eurídice Gusmão”, há um par de novos longas-metragens para ser julgado por Nadine Labaki e sua equipe. Foram adicionados a animação “La famosa invasione degli orsi”, dirigido pelo quadrinista Lorenzo Mattotti, da Itália, e o drama com foco na sororidade feminina “Odnazhdy v Trubchevske”, de Larissa Sadilova, da Rússia.

Presidente do júri da Palma de 2019, o realizador mexicano Alejandro González Iñárritu (de “Birdman”) vai aplaudir seu muso, o ator Gael García Bernal, na nova experiência dele como diretor, “Chicuarotes”, sobre a adolescência em seu país. Vai ter ainda, em projeção especial, o mestre chileno dos documentários, Patricio Guzmán, com “La Cordillera De Los Sueños”. Produzido por DiCaprio, o novo filme de Leila Conners, o .doc “Ice on Fire”, marca a volta da equipe de “The 11th hour” (2007) ao estudo das crises climáticas do planeta.

Por fim, tem coisa nova do badalado Dan Krauss, que está sacudindo o Festival de Tribeca, em NY, com “The Kill Team”, sobre crimes de guerra no Afeganistão. Em “Ward 5B”, o cineasta documenta o avanço da AIDS nos EUA dos anos 1980.

Cannes promete mais atrações até meados da semana que vem.

* Especial para o JB