Mais novos e mais baianos do que nunca

Baby, Moraes Moreira, Luiz Galvão, Paulinho Boca de Cantor e Pepeu se apresentam no Rio

Com quase 50 anos de carreira, Baby do Brasil, Moraes Moreira, Luiz Galvão, Paulinho Boca de Cantor e Pepeu Gomes continuam novos! O grupo se apresenta, mais uma vez, no palco da Fundição Progresso na turnê de reedição do mais icônico dos álbuns dos Novos Baianos: o Acabou Chorare. Paulinho concedeu uma entrevista para o JORNAL DO BRASIL e falou da família que a banda formou, do tempo, da convivência e de muita música.

Macaque in the trees
Novos Baianos (Foto: Marcos Hermes/Divulgação)

JB: Como é, depois de anos de carreira, subir ao palco e se deparar com um público tão fiel?

Paulinho: A gente se sente como novo. Eu sempre comento isso e é uma verdade: a gente se sente realmente rejuvenescido, porque, mesmo que tenhamos ficado tanto tempo separados, com projetos paralelos, toda vez que nos reunimos para tocar, é como se nunca tivéssemos parado. E vemos que nosso público comporta aqueles que nos acompanham desde o ápice das nossas carreiras, da década de 60 e 70, mas também um público renovado e é isso que motiva e faz com que estejamos sempre novos. Novos e baianos!

JB: Segundo a Rolling Stone, Acabou Chorare foi eleito o maior disco da história do Brasil. Como você vê isso? Esse reconhecimento de trabalho? Você concorda?

Paulinho: Eu acredito que o mais interessante desse disco, que nos marcou muito e certamente também impactou esses que lembram dele até hoje, é a forma curiosa com a qual ele foi feito, porque é um diferencial: a partir do momento que nós nos propusemos a morar juntos, significa também que a gente, além de pensar junto, de criar junto, a gente executava junto. Estávamos muito ensaiados e, talvez, esse seja o motivo de até hoje, harmonicamente, parecer que a gente nunca se separou.

JB: Foram quatro anos de convivência junta? Digo, morando?

Paulinho: Só no sítio, em Jacarepaguá, foi de 1971 a 1975, mas vivemos juntos em apartamentos, como em Botafogo. Realmente, formamos uma família entre nós mesmos. Uma vez, Astor Piazzolla viu a gente tocando e comentou que nunca havia visto um grupo tocar junto com tanta alegria. Ficamos de 1999 até 2016, portanto, 17 anos, sem tocarmos juntos. Quando nos reunimos de novo, sabíamos pelo olhar tudo que o outro queria, como o outro queria e fluiu naturalmente.

JB: Nessa convivência tão próxima houve muitos atritos? 

Paulinho: Olha, se você souber de uma relação que não tenha atritos, eu também quero conhecer. Eram 10, 15 malucos morando dentro de um mesmo espaço, mas tinham normas. Nada muito elaborado, mas tinham normas; até porque nada na história dos Novos Baianos foi programado. A gente brinca dizendo que saiu para tomar um cafezinho, foi ficando e estamos juntos até hoje. Não bolamos nada! Foi acontecendo. Da mesma forma que da gente estar junto, aconteceu da gente se separar. Mas uma coisa que foi importante é que a gente estava vivendo um tempo muito duro da vida brasileira, na ditadura militar. A gente formou uma rede de proteção, porque, juntos, nos sentíamos mais seguros, entende? Tínhamos por preceito que brigar não ia adiantar nada, porque só nos enfraqueceria em um momento que precisávamos estar fortes.

JB: Ainda assim, você sente saudade? Acha que hoje, com tanta atração tecnológica, seria possível voltar àquele estilo de vida?

Paulinho: A gente nunca mais tentou. Era, realmente, uma coisa muito diferenciada. Não tenho notícia de outro grupo assim. Os Rollings Stones, sempre cada um teve seu canto e se reunia para ensaiar e fazer show. A Baby (do Brasil) até brinca, de vez em quando, da gente ficar junto de novo, porque essa criação coletiva foi muito importante para o sucesso do nosso trabalho. Mas acho que nunca vai ser igual àquele tempo, porque eram outros tempos e o tempo é muito cruel com algumas coisas. Então, viver junto, morar junto, não. Mas cantar junto vai ser para sempre!

JB: De todas as suas músicas, qual a que não pode, por exemplo, faltar nesse show na Fundição Progresso?

Paulinho: Eu, particularmente, gosto de "Mistérios do Planeta", até porque eu que interpreto. Mas acredito que a música que não pode faltar, dentre muitas, é "Preta, Pretinha".

Os Novos Baianos sobem ao palco da Fundição à meia-noite deste sábado para domingo, dia 28 de abril. A Fundição Progresso fica na Rua dos Arcos, 24 - Lapa.

Os ingressos variam de R$60,00 a R$200,00 e podem ser adquiridos através do site (https://www.eventim.com.br/novos-baianos-e-erasmo-carlos-rio-de-janeiro-ingressos.html?affiliate=BR1&doc=artistPages/tickets&fun=artist&action=tickets&key=2433137$11774000&jumpIn=yTix) ou na bilheteria da Fundição: de segunda a sexta, das 11h às 20h; sábados (somente em dias de show), a partir das 12h, sem taxa de conveniência/administrativa.

Formas de Pagamento: dinheiro (bilheteria Fundição) e cartão de crédito (site Eventim)