Crítica - Um Funeral em Família: produção descartável

* (Ruim)

Bebendo diretamente da fonte das comédias de Eddie Murphy, Tyler Perry chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (4), com “Um Funeral em Família” (A Madea Family Funeral – 2019), o 11o longa-metragem de sua personagem mais famosa: Madea.

Nas funções de diretor, produtor executivo, roteirista e ator, Tyler Perry leva às telas a nova e supostamente última confusão de Madea (Perry), que se torna responsável pela organização de um funeral após viajar para o que seria uma festa de aniversário de casamento de seus parentes, que precisam lidar com o luto e revelações inesperadas.

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Um Funeral em Família: produção descartável (Foto: reprodução)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“Um Funeral em Família” é uma produção que descamba para a apelação por ser basicamente composta por diálogos grosseiros e preconceituosos, muitos deles sem nenhum sentido, proferidos por personagens histriônicos e irritantes, principalmente do núcleo de Madea – Joe (Perry), Bam (Cassi Davis) e Hattie (Patricia Lovely).

No entanto, o maior problema deste longa é a sua incapacidade de conectar as duas histórias que se propõe a contar, a cômica, calcada nas confusões de Madea e sua turma, e a dramática, que engloba os segredos de uma família em meio à dor da perda. É uma falha grave do roteiro de Tyler Perry que expõe a falta de lapidação do longa, que conta ainda com maquiagem precária, algo que remete aos filmes de Eddie Murphy nas décadas de 1980 e 1990.

Incapaz de entreter a plateia com o mínimo de qualidade, não fazendo jus ao gênero no qual é classificado, o da comédia, “Um Funeral em Família” é descartável em absolutamente todos os sentidos e deve ser encarado como um sinal de alerta a Tyler Perry, profissional que precisa mostrar ao público sua versatilidade antes de chegar à metade do caminho de Murphy, estrela de outrora que caiu no esquecimento e tem lutado para voltar ao panteão hollywoodiano.