Burguesia domina Paris

Pelo menos nas coleções, a roupa de madame supera o estilo street

Desde os primeiros dias da semana do prêt-à-porter de Paris dava para notar a virada dos designers de vanguarda, aqueles mais inovadores, em busca de um estilo para as mulheres poderosas, executivas, elegantes e quase clássicas. As análises da imprensa especializada definem estas propostas como um caminho de volta aos looks burgueses. Para evitar um resultado senhorial, envelhecedor, as sugestões variam das botas longas, acima dos joelhos às complementações com jeans.

 

Stella para as princesas

Devem ser as princesas trabalhadoras, já que Kate e Megan preferem a Givenchy da também inglesa Clare Waight-Keller. Stella McCartney honra o passado de aprendiz nos alfaiates de Londres com uma das coleções mais sensatas de sua carreira. Tem príncipe-de-gales, um dos tecidos nobres da indústria da tecelagem; tem cores variadas, rosa, verde, amarelo e mangas fartas. Seguindo a tendência dos eventos, Stella desfilou looks femininos e masculinos.

 

Givenchy no inverno 1990

Depois do belo vestido vermelho com top de vinil da Rachel Weisz no Oscar e de ficar conhecida pelo vestido de noiva de Megan Markle, Clare Waight-Keller se inspirou nos anos 1990 para a coleção Inverno no Eden. Repetiu o príncipe-de-gales, os terninhos verdes e incluiu o couro nos casacos. Como os colegas de semana, apostou em ombros largos e mangas fartas. Quanto ao desfile em si, os comentários apontaram o perigo da produção em uma tenda para 1000 convidados com apenas um acesso por dentro de um túnel, como local de entrada e de saída.

 

Balenciaga, onde estás?

Demna Gvasala admitiu sair do conforto do street, onde manda e desmanda, para investir na alfaiataria e nas artes do corte, típicas do espanhol Cristobal Balenciaga. Tirou ideias do jeito parisiense, mostrou até aneis em forma de Torre Eiffel. No final, restou pouco do original. Não que fosse preciso copiar peças antigas, mas incluir camisetas com o logo da marca é exatamente o contrário do que faria Balenciaga. Um profissional que nos anos 1950 se recusou a fazer linha prêt-à-porter jamais ostentaria seu nome em algo tão prêt-à-porter quanto uma camisetinha.

 

Talbot Runhof fora da night

Esta dupla sempre se dedicou a criações para as noitadas festivas e jovens. Para o inverno do hemisfério norte 19/20 decidiram partir para objetivos mais chics. Podem chegar aos tapetes vermelhos hollywoodianos com os novos longos, os babados, as grandes mangas e os laços. Para não perder o hábito, há alguns looks em cores neons, para alegrar as pistas de discotecas.

 

Celine ou Hedi?

Celine, a marca favorita das verdadeiras elegantes e poderosas, perigava cair no abismo das peças básicas do guarda-roupa tradicional. De luxo, excelente qualidade, mas repetitivo e velho. Hedi Slimane, depois de passar pela Dior Masculina e pela Saint Laurent, chega à Celine arrasando com suas propostas de tailleurs e terninhos mas também ponchos sobre jeans, saias-calças com botas longas, casacos em tom caramelo. Uma proeza na mistura de peças clássicas com detalhes capazes de conquistar consumidoras poderosas, ricas ejovens. Incrível como um estilista consegue transformar uma grife sem perder nem o seu talento nem as características da marca. E ele mexeu até no logotipo, cortando o acento agudo do nome. Deu certo, Slimane.