Companhia carioca Os Dezequilibrados festeja 20 anos com a nova comédia Rio 2065

A companhia carioca Os Dezequilibrados celebra as suas duas décadas com a estreia do seu 20º espetáculo, a comédia ‘Rio 2065,’ que entrou em cartaz dia 11 de janeiro (6ª feira) e permanece até o dia 3 de março, no Teatro I do CCBB, no centro. O espetáculo tem direção de Ivan Sugahara e, além de integrantes do grupo (Ângela Câmara, Cristina Flores, José Karini e Letícia Isnard), traz quatro atores convidados: Alcemar Vieira, Guilherme Piva, Jorge Mayae Lucas Gouvêa– que alterna com José Karini. 

O texto de Pedro Brício faz uma retrato fictício do Rio em 2065, com a linguagem irreverente, bem-humorada e contemporânea que caracteriza a companhia. Para ele, “a peça é uma alegoria sobre as questões do presente, uma comédia rasgada que faz referência à linguagem do besteirol e filmes b, mas com um viés crítico que brinca com a ficção científica e dialoga com o século XVI.” 

Macaque in the trees
Peça 'Rio 2065' tem temporada prolongada até domingo, 3 de março (Foto: Dalton Valerio/Divulgação)

A trama principal gira em torno do cotidiano de Machado (José Karini/Lucas Gouvêa), um detetive policial, e sua parceira, a replicante Louise (Letícia Isnard). Eles tentam recuperar a cabeça do bispo calvinista, cortada pela índia Jacira (Cristina Flores). O público acompanha também a disputa entre duas escolas de carnaval: Acadêmicos de Araribóia, do carnavalesco Clóvis Bandeira (Jorge Maya) e da prefeita de Niterói, a francesa Catherine de Bregançon (Ângela Câmara), e a Unidos de São Sebastião, do carnavalesco Johnny Apoteose (Alcemar Vieira) e do prefeito do Rio, Dony de Lorean (Guilherme Piva). A dramaturgia é dinâmica, com várias ramificações e outros personagens que satirizam os nossos tipos urbanos arquetípicos. 

Na história, a cidade de 2065 foi quase toda vendida para os estrangeiros, mas permanece como destino turístico de entretenimento e carnaval. Trata-se, portanto, do clássico quadro apocalíptico, presente em toda narrativa de ficção científica, contado com a velocidade dos tempos atuais. Em cena, mudanças vertiginosas de personagens e conflitos traduzem uma sensação quase tragicômica de não se conseguir controlar a vida.

Na visão do diretor, “a peça é uma comédia, mas também uma ficção científica. Nos ensaios, nos perguntamos como explorar esse típico gênero cinematográfico no teatro. Essa dificuldade se tornou uma das chaves da encenação. Procuramos fazer uma apropriação criativa do gênero, numa linguagem que remete tanto às chanchadas quanto aos movimentos antropofágico e tropicalista. Para além do humor paródico, trata-se de colocar em cena nossas fraquezas e defeitos. É uma ficção científica que fracassa porque aqui as formas do passado não se apagam facilmente. Nesse sentido, a montagem é uma crônica contundente da nossa história e da atualidade. Retrata uma espécie de futuro absurdo com fortes traços da época colonial e dos dias de hoje. Mas também buscamos encontrar espaços para o que existe de poético e estranho nesse amanhã imaginário, onde nossas raízes e nosso presente coexistem com nossos anseios e temores do futuro.” 

A peça retrata o tempo cotidiano de um balneário turístico, construído a partir da criatividade cultural dos seus habitantes, que subverte as pressões de futuros utópicos - tão recorrente nas narrativas de ficção científica. Um Rio de Janeiro teatral que aponta tanto para o futuro quanto para o passado, criando o mapa cênico de uma cidade imprevisível e efervescente.

Rio 2065

Temporada: de 11 de janeiro a 03 de março

Local: Teatro I - Centro Cultural Banco do Brasil (Rua Primeiro de Março, nº 66 – Centro – Rio de Janeiro)

Telefone: (21) 3808-2020

Dias e horários: de Quarta a Segunda às 19h

Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia) na bilheteria do CCBB ou no site eventim.com.br