Júri JB | Quem merecia ganhar

Tom Leão - melhor filme "Roma" - É cinema em estado bruto. Através de sua cinematografia e silêncios, diz tudo. Falando de sua aldeia, Cuarón foi global e genial.

Ana Rodrigues - melhor atriz Olivia Colman ("A favorita"): Desconhecida do grande público, Olivia concorre com a grande Glenn Close, mas sua Rainha Anne é uma das mais arrebatadoras atuações das últimas décadas.

Ana Carolina Garcia - melhor ator Bradley Cooper ("Nasce uma estrela"): Subestimado por Hollywood, Bradley Cooper trabalha com maestria as dores e alegrias do personagem numa obra emocionante que expõe as entranhas da indústria fonográfica.

Frank Carbone - melhor diretor Alfonso Cuarón ("Roma"): A barbada às vezes é a melhor escolha, e o trabalho de Cuarón ecoará na História.

Tony Trammel - melhores coadjuvantes Atriz coadjuvante: Seria Emily Blunt ("Um Lugar Silencioso") se não tivesse sido esnobada pela academia. Rachel Weisz ("A Favorita") merece por sua atuação irretocável como Lady Sarah, onde brilha junto com suas duas colegas de elenco. Um trio poderoso em cena.

Ator Coadjuvante: Mahershala Ali ("Green book"). Um ator excelente, em uma atuação perfeita que ressalta paixão e virtuosidade. Difícil imaginar o filme sem ele interpretando o pianista e compositor Dr. Don Shirley, cujo reconhecimento só não foi maior pelo racismo existente em sua época.

Rudney Flores - melhor roteiro Para roteiro original, "Vice" - Assim como em "A grande aposta", Adam McKay se utiliza da ironia e humor satírico para descrever, desta vez, os excessos e os bastidores sombrios da política americana nos anos George W. Bush e que também refletem muito o cenário político atual nos EUA e em boa parte do mundo. Para roteiro adaptado, deveria vencer "Infiltrado na Klan" - Spike Lee volta à velha forma e faz seu filme mais contundente em anos, destacando como um caso real ocorrido há quatro décadas pode revelar o quanto o racismo e a xenofobia ainda estão entranhados na sociedade atual.

Rodrigo Fonseca - Filme estrangeiro "Guerra fria", da Polônia - O México que me perdoe, mas Pawel Pawlikowski criou uma love story homem & mulher definitiva, de uma potência plástica singular em sua fotografia em P&B e sua engenharia de som, que dialoga com a tradição de mestres como David Lean (de "Doutor Jivago") em sua representação sobre os impedimentos morais ao amor romântico.