O doce Tremendão: confira a crítica de 'Minha fama de mau'

Com 1 metro e 93 de altura, um jovem tijucano conquistou meninas e amantes da música nos anos 1960. Grande por fora e um coração enorme por dentro, mas acima de tudo, um dos maiores artistas da música popular brasileira. Em "Minha fama de mau", de Lui Farias, a proposta é revelar os primeiros passos até a glória do ídolo da juventude, Erasmo Carlos (Chay Suede). O longa destaca a vida pobre de um artista que supera o contexto de poucas oportunidades por acreditar no seu talento. Ele compartilha o sonho com o amigo Tião (Vinícius Alexandre), que anos depois ficaria famoso como Tim Maia. Erasmo se divide entre pequenas delinquências e o capricho de manter num caderno as letras dos Beatles e curtir Elvis, Bill Haley e Chuck Berry. Um dia, ele encontra um cantor iniciante chamado Roberto Carlos (Gabriel Leone) e logo se tornam parceiros e amigos.

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Chay Suede encarna o irresistível Erasmo Carlos (Foto: Divulgação)

O longa reconstitui com capricho a época, mas se perde em muitos recortes de arquivo para dar conta do período inicial da carreira do cantor até chegar à explosão do movimento Jovem Guarda, catapultado pelo programa na TV Record. Erasmo, Roberto e Wanderléa (Malu Rodrigues) são escalados para comandar o show que revelou a capacidade brasileira de fazer rock em plena ditadura militar.

O filme resulta apressado no registro de momentos marcantes, mas tem o mérito de acertar na escalação do trio principal. Em especial, no reencontro dos eternos amigos e na delicadeza de Chay e Malu cantando "Devolva-me". Os pontos altos ocorrem quando a música toma conta e lembramos o valor do compositor popular na doçura do grande Erasmo.

Membro da ACCRJ

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MINHA FAMA DE MAU: ** (Regular)

Cotações: o Péssimo; * Ruim; ** Regular; *** Bom; **** Muito Bom