Mostra Internacional de Teatro de SP anuncia programação incentivando itinerância de peças brasileiras

A MITsp - Mostra Internacional de Teatro de São Paulo acontece a partir do dia 14 de março e, pela primeira vez, traz um espetáculo de sua programação para o Rio. Será "A repetição - História(s) do Teatro (I)", dirigido pelo suíço Milo Rau, artista internacional em foco nesta edição. O espetáculo abre o evento no Auditório Ibirapuera e depois vem para o Rio em apresentações nos dias 20 e 21, às 19h, no Sesc Ginástico, no Centro. "Teremos três espetáculos de destaque dentro da trajetória dele.'A repetição', do ano passado, foi um dos que teve maior repercussão no 72° Festival de Avignon, na França. Por sorte, assistimos antes e fechamos sua vinda para o MIT, se não, teríamos de esperar uns três anos para conseguir uma apresentação no Brasil", conta Antonio Araújo, um dos curadores do evento.

O espetáculo aborda a homofobia, encenando uma história real que aconteceu na Bélgica, em que um grupo de jovens sequestra um rapaz gay e espanca até a morte.

No decorrer da MIT, serão encenadas ainda "Cinco peças fáceis", sobre um crime de abuso sexual também ocorrido na Bélgica, e "Compaixão - A história da metralhadora", outra vertente do suíço. "É uma produção textual mais política, que aborda a relação colonial entre Europa e África", cita Antonio.

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A questão indígena é o tema de "Altamira 2042" (Foto: Clara Mor/Divulgação)

Europa x África

A relação espinhosa entre império e colônia, porém com o olhar dos colonizados, é uma outra importante atração da MIT: "Alicerce das vertigens", do congolês Dieudonné Niangouna. "Ele é um grande nome da dramaturgia africana e fala, nesse texto, que também dirige, sobre as sequelas desse passado colonial numa cidade periférica", destaca o curador.

A MIT, que trabalha com quatro eixos principais - Mostra de Espetáculos, MITbr - Plataforma Brasil, Ações Pedagógicas e Olhares Críticos - vai apresentar nesta edição oito montagens internacionais e 11 nacionais, além de três estreias. "A estrutura que mais cresceu foi a Plataforma Brasil que, na verdade, aconteceu como um piloto no ano passado. Tivemos 467 inscritos de todo o país e chegamos aos dez trabalhos inéditos", explica Antonio. A artista nacional em foco será a coreógrafa e bailarina Marta Soares, com os trabalhos "O banho" e "Vestígios".

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A reprise MITSP (Foto: Hubert Amiel/Divulgação)

A Mostra é uma boa vitrine para estimular a circulação dos espetáculos nacionais, pois há a presença de curadores e diretores internacionais que não só assistem aos espetáculos como participam das atividades paralelas. "Convidamos 25 profissionais de festivais de todo o mundo, que serão contextualizados sobre a produção brasileira", diz. Antonio ressalta, inclusive, que nossa produção teatral é tão boa quanto pouco conhecida. "Há uma total falta de políticas públicas. Importantes festivais no Chile levam mais de 200 programadores internacionais. O último Fiba, na Argentina, por exemplo, convidou 150 deles. Adivinha quantos espetáculos brasileiros estavam na programação? Zero", lamenta.

Outro trabalho de destaque no evento é justamente uma parceria Brasil-Chile. "Democracia" tem elenco chileno, direção de Felipe Hirsch e cenário de Daniela Thomas e estreou no Chile ano passado. "Ela fala de ditadura, transição democrática e desigualdade sob o ponto de vista chileno, mas com muitas similaridades com nossa situação", diz Antonio.

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"Democracia", que está na mostra de São Paulo, tem elenco chileno e direção de Felipe Hirsch (Foto: Pamela Albarracin/Divulgação)

Outro trabalho de destaque no evento é justamente uma parceria Brasil-Chile. "Democracia" tem elenco chileno e direção de Felipe Hirsch e estreou no Chile ano passado. "Ela fala de educação, ditadura, transição democrática e desigualdade sob o ponto de vista chileno, mas com muitas similaridades com a nossa realidade", compara Antonio.

As três estreias brasileiras são trabalhos de experimentação cênica, que dialogam com questões atuais: "Manifesto transpofágico", de Renata Carvalho; "A boba", de Wagner Schwartz; e "Altamira 2042", de Gabriela Carneiro da Cunha. "É o primeiro trabalho do Wagner depois da polêmica no MAM-SP (ele foi atacado na internet, acusado de pedofilia por causa da performance) e reflete tudo isso que atravessou. Renata também foi outra que sofreu impedimentos com o espetáculo anterior, 'O Evangelho segundo Jesus, Rainha do Céu'. Já o de Gabriela resulta de uma longa pesquisa e aborda a questão indígena de Belo Monte", detalha Antonio.



A reprise MITSP
"Democracia", que está na mostra de São Paulo, tem elenco chileno e direção de Felipe Hirsch
A questão indígena é o tema de "Altamira 2042"


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