Panorama de lágrimas: melodramas ganham destaque nos festivais

Folhetins voltaram a ganhar visibilidade e prestígio nos festivais de cinema da Europa, sobretudo após a vitória de "Assunto de família", de Hirokazu Koreeda, na briga pela Palma de Ouro. Para a Berlinale, a cota anual de melodrama parece ter sido preenchida por um filmaço sérvio de uma centelha emotiva incendiária: "Stitches". O filme de Miroslav Terzic transforma em ficção um crime histórico nos territórios que formavam a Iugoslávia: o rapto de bebês na maternidade, onde as crianças eram dadas como mortas para os pais e encaminhadas para adoção em territórios ricos do Velho Mundo. A trama de Terzic acompanha a angústia de uma mulher, Ana (Snezana Bogdanovic), que há 20 anos celebra o aniversário do filho que teria morrido ainda no berçário. Só que o destino bate à porta de Ana com outra versão: ele pode ter sido raptado e o corpo, enterrado em seu lugar seria de outro neném. Estaria o menino vivo? A questão rende um espetáculo cinematográfico enervante, que se destaca entre os títulos da mostra.

Após "Stitches", a Panorama foi visitar o submundo da China, numa abordagem narrativa que evoca clássicos do policial hollywoodiano dos anos 1940. "The shadow play", de Lou Ye é um filme noir ambientado nos dias atuais, seguindo os passos de um jovem policial que tenta averiguar o mistério por trás do suicídio de um executivo. Outro título asiático que impactou Berlim foi "Idol", produção coreana de Lee Su-jin. Na trama, um político em ascensão se vê às voltas com um dilema, ao saber que o filho atropelou uma pessoa, num acidente de trânsito, trazendo o corpo da vítima para casa. Ali começa um conflito entre justiça e deveres familiares.

Na mostra Geração 14 , ligada à representação da juventude, o documentário "Espero a tua (re)volta", de Eliza Capai, foi ovacionado, conquistando um ardoroso boca a boca nos papos de corredor, com imagens de passeatas de estudantes, da ocupação de escolas e do congresso da UNE de 2017. Eliza concorre ao Glashütte Original, prêmio da Berlinale dedicado a narrativas documentais. No filme, três jovens ex-secundaristas que participaram das ocupações das escolas paulistas em 2015 - Lucas "Koka", Marcela Jesus e Nayara Souza - revisitam a história recente do país, relembrandoos eventos de 2013 até o impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, e a vitória do candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro em 2018. O trio propõe diferentes olhares e vivências, mas têm em comum o ativismo por um ensino público de qualidade.

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