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Mulheres empoderadas

Rappers também se destacam na cerimônia de premiação da indústria fonográfica

Reprodução -
Cena de "This is America", de Childish Gambino
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LOS ANGELES (EUA) - Se na cerimônia de 2018 não faltaram críticas à escassez de mulheres premiadas, as meninas e os artistas de rap foram os grandes vitoriosos do Grammy 2019, cuja cerimônia de premiação ocorreu na noite de domingo, em Los Angeles. O álbum "Golden hour", da cantora de música country Kacey Musgraves, foi considerado o melhor do ano, enquanto a britânica Dua Lipa foi escolhida como revelação.

A canção "This is America", de Childish Gambino (identidade que o ator, roteirista e rapper Donald Glover utiliza no mercado musical), foi eleita a melhor do ano. Ausente na cerimônia, Gambino foi o grande vencedor da noite, com quatro prêmios: além de melhor canção, "This is America" também foi premiada como gravação do ano, melhor vídeo e melhor performance de rap cantado.

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A cantora country Kacey Musgraves conquistou três troféus na premiação do Grammy 2019 (Foto: Frederic J. Brown/AFP)

O rapper canadense Drake venceu na categoria melhor canção rap, com "God's plan" e surpreendeu a plateia ao dizer que conquistar prêmios como o Grammy não é importante. "Você já venceu se você tem pessoas que cantam suas canções palavra por palavra, se você é um herói na sua cidade natal", disse Drake. "Você não precisa disso aqui. Eu juro. Você já venceu", discursou o cantor, que teve a fala abruptamente cortada por um break comercial.

A cantora americana Cardi B fez história ao ter seu álbum "Invasion os privacy" escolhido como o melhor na categoria rap - foi a primeira vez que uma mulher conquista tal feito.

Alicia Keys conduziu a festa com graça 

A cantora Alicia Keys foi a responsável pela apresentação da cerimônia e com boa desenvoltura alternou suas falas com alguns trechos tocados ao piano. Em seu discurso de abertura, chamou ao palco Michelle Obama e as artistas Lady Gaga, Jada Pinkett-Smith e Jennifer Lopez. As cinco falaram, brevemente, sobre a importância da música. "Seja country, rap ou rock, música nos ajuda a dividir, seja nossa dignidade ou dor, nossa esperança ou alegria", disse Obama. "Nos permite ouvir uns aos outros e convidar os outros a entrar música nos mostra tudo o que importa. Toda história, toda voz, em toda nota de cada canção", disse a ex-primeira dama, que foi ovacionada pela plateia.

Em seu discurso, Gaga falou sobre a importância do tema da saúde mental, abordada no longa, e agradeceu ao seu diretor no filme e parceiro na música, Cooper, que estava em Londres representando o filme na entrega do prêmio Bafta, da indústria cinematográfica britânica. Logo após descer do palco, a cantora teve que retornar. Ela venceu o primeiro prêmio entregue na transmissão televisiva, o de melhor performance pop de duo ou grupo, por "Shallow", sua música com Bradley Cooper da trilha sonora do remake do filme "Nasce uma estrela". O domínio das mulheres também se fez presente na distribuição dos prêmios: a exemplo de Lady Gaga, Brandi Carlile e Kacey Musgraves venceram três categorias cada uma.

Cinco das oito categorias que escolheram álbuns do ano foram vencidas por mulheres, incluindo Carlile, com "By the way, I forgive you"; Janelle Monae, com "Dirty computer"; Cardi B, com "Invasion of privacy; e H.E.R., com o álbum de mesmo nome. "Acho que nós evoluímos este ano", disse Dua Lipa, ao receber o prêmio de revelação.

A banda de rock Greta van Fleet, de Detroit, que chegou rapidamente ao estrelato com um trabalho autoral que remete ao hard rock dos anos 1970, ganhou o prêmio de melhor álbum de rock. Indicada em outras três categorias, a banda retrô foi superada pelo cantor Chris Cornell, falecido em maio de 2017, na categoria melhor performance de rock. Cornell foi premiado postumamente por "When bad does good". "Sua voz foi a sua visão e sua música foi a sua paz", disse sua filha Toni, ao receber o prêmio com o irmão.

Diana Ross, que está prestes a completar 75 anos, foi ovacionada ao interpretar duas músicas durante a homenagem que o Grammy fez aos 60 anos da gravadora Motown, a meca sagrada da música negra americana. A rainha da country music Dolly Parton, de 73 anos, foi homenageada durante a cerimônia.


Os principais vencedores

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ÁLBUM DO ANO: "Golden Hour", Kacey Musgraves

GRAVAÇÃO DO ANO (melhor canção): "This is America", Childish Gambino

MÚSICA DO ANO (compositor): "This is America" (Donald Glover,Ludwig Göranssone Jeffrey Lamar Williams, compositores)

ARTISTA REVELAÇÃO: Dua Lipa

MELHOR PERFORMANCE POP SOLO: "Joanne (Where do you think you're goin'?)", Lady Gaga

MELHOR PERFORMANCE DE POP EM GRUPO OU DUO: "Shallow", Lady Gaga e Bradley Cooper

MELHOR ÁLBUM VOCAL DE POP: "Sweetener", Ariana Grande

MELHOR ÁLBUM DE ROCK: "From the fires", Greta Van Fleet

MELHOR ÁLBUM DE RAP: "Invasion of privacy", Cardi B

MELHOR ÁLBUM DE MÚSICA ALTERNATIVA: "Colors", Beck

MELHOR ÁLBUM DE DANCE/ELETRÔNICO: "Woman worldwide", Justice

MELHOR ÁLBUM DE MÚSICA URBANA CONTEMPORÂNEA: "Everything is love", The Carters

MELHOR PERFORMANCE DE ROCK: "When bad does good", Chris Cornell

MELHOR ÁLBUM DE MÚSICA COUNTRY: "Golden hour", Kacey Musgraves


'Roma' destrona 'A favorita' no Bafta

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LONDRES - "Roma", a carta de amor cinematográfica à infância do diretor Alfonso Cuarón à Cidade do México na década de 1970, superou a comédia de humor negro "A favorita" na disputa de melhor filme e melhor diretor na premiação do Bafta (British Academy Film Awards), a versão inglesa do Oscar, realizada no domingo à noite. O resultado eleva o cacife da produção da Netflix na cerimônia da academia americana, no próximo dia 24.

"Estou tocado por este filme ter sido recebido dessa maneira", disse Cuarón, na cerimônia repleta de estrelas no Royal Albert Hall, em Londres, que contou com a presença do príncipe William e a esposa Kate, duque e duquesa de Cambridge. Cuarón agradeceu à gigante de streaming por "ter a coragem" de assumir o projeto "em uma época em que o medo e a raiva estão aí para nos dividir". O longa retrata a luta doméstica e a hierarquia social em meio a turbulências políticas na América Latina nos anos 1970 e tem como figura central uma governanta e babá chamada Cleo, interpretada pela atriz indígena Yalitza Aparicio.

Roma frustrou as expectativas de "A favorita" que recebeu 12 indicações mas suas principais estatuetas ficaram para as atrizes Olivia Colman (protagonista feminina) e Rachel Weisz (coajuvante feminina). O filme, sobre a rainha Anne, uma rabugenta soberana inglesa do século 18 recebeu outros cinco prêmios em categorias menos relevantes. Colman, de 45 anos, superou Glenn Close ("A esposa") e Lady Gaga ("Nasce uma estrela") - a mesma dupla que enfrentará no Oscar.

Rami Malek, que encarnou nas telas o vocalista do Queen, Freddie Mercury, conquistou o prêmio de melhor ator, superando Christian Bale em sua impressionante atuação como o ex-vice-presidente americano Dick Cheney em "Vice". O prêmio de melhor ator coadjuvante foi para Mahershala Ali por "Green Book", comédia dramática na qual ele interpreta um pianista de jazz em turnê pelos estados racistas do Sul dos Estados Unidos. "Solo livre", que mostra a saga da primeira pessoa a escalar a montanha El Capitan, no Parque Nacional de Yosemite (EUA), ganhou o prêmio de melhor documentário.