Elenco estelar defende histórias de redenção no Festival de Berlim

Um elenco multinacional estelar que junta jovens como Tahar Rahim (de "O profeta") a veteranos como Bill Nighy (de "Simplesmente amor"), abrilhantou a passagem do melodrama "The kindness of strangers" na abertura do 69. Festival de Berlim, na manhã desta quinta, na capital alemã. Fazendo da doçura e da solidariedade suas bandeiras, o mais recente longa-metragem da diretora dinamarquesa Lone Scherfig inauguou a briga pelo Urso de Ouro fazendo jus a uma premissa que a presidenta do júri do prêmio, a atriz francesa Juliette Binoche, defendera minutos antes da sessão do filme:

"O que for humano, nesta seleção, trará, em si, uma veia política", disse a estrela de cults como "Perdas e danos", deixando claro que os jurados de Berlim vão valorizar trabalhos que cultuem a esperança.

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"O que for humano, nesta seleção, trará, em si, uma veia política" (Foto: Rodrigo Fonseca)

É o caso de "The kindness os strangers", que dá à roteirista e atriz americana Zoe Kazan (neta do mítico diretor Elia Kazan, mais conhecida por seus exercícios de humor) uma chance de depurar seu talento dramático. Ela vive uma mãe de dois meninos que foge do marido, um policial abusivo e violento. Em meio ao inverno nova-iorquino, ela encontra amparo no gerente de um fino restaurante russo (papel de Rahim) e no dono do estabelecimento, vivido por Nighy com seu habitual deboche à moda inglesa.

"Esses personagens, em si, não carregam nenhum discurso político. A preocupação deles é sobreviver. Mas eu não queria super-heróis, queria angústias reais", disse Lone em Berlim. "Meu esforço era ir o mais profundo possível nos dramas deles e apostar num final redentor, algo que, hoje rm dia, parece necessário".

Em paralelo à passagem de Lone com "The kindness of strangers", duas produções encaixadas em seções paralelas da Berlinale - uma delas falada no Português de Lisboa - mobilizaram as atenções da imprensa. Na mostra Fórum, que se debruça sobre experiências narrativas pautadas pelo radicalismo, "A Portuguesa", de Rita Azevedo Gomes, chamou atenção por sua potência plástica na recriação do passado dos países ibéricos. Na trama, a diretora do seminal “O som da terra a tremer” narrra a história de uma mulher que tenta transformar um castelo numa morada para si e seu marido - um sujeito casado com a guerra.

Já na seção Panorama, a aposta do dia é "Flatland", de Jenna Bass, um thriller africano sobre exclusão de gênero. Nesta produção da África do Sul, uma policial tenta investigar um crime, a fim de manter a ordem em seu perímetro de ação, mas se depara com um caso ligado à violência contra a mulher e ao sexismo.