Maurício Einhorn recebe uma constelação de amigos

Cantores e músicos de várias gerações dividem o palco com o mestre da gaita

Mauricio Einhorn é celebrado como um dos principais instrumentistas brasileiros. Seu talento, técnica e criatividade levaram a gaita a um lugar de destaque em vários capítulos da história da MPB, como a Era do Rádio, a Bossa Nova e os anos dos festivais. O músico, atualmente com 86 anos, sobe amanhã, às 20h, o palco da Sala Baden Powel para um show histórico com amigos (muitos amigos), num verdadeiro time dos sonhos da MPB e da música instrumental.

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Cantores e músicos de diferentes gerações vão dividir o palco com o mestre da gaita em Copacabana (Foto: Divulgação)

A lista de confirmados é uma constelação de grandes nomes, que inclui as cantoras Leny Andrade, Dóris Monteiro e Jane Duboc; e os músicos Marcos Valle, Joao Donato, Azymuth, Quarteto do Rio, Mauro Senise, Bebeto Castilho, João Cortez, Ricardo Silveira, Robertinho Silva, Gilson Peranzzetta, Alex Malheiros Alberto Chimelli, Nelson Faria, Luiz Alves, José Arimatéa e Victor Bertrami, entre outros artistas.

No repertório do show, que terá direção musical de Gabriel Grossi _ um dos alunos de Einhorn, que leciona gaita há mais de 60 anos _, canções como "Paquito ouças", "Curta-metragem", "Tristeza de nós dois", "Clichê", "Samblues", "Disa", "Acalanto pro Einhorn", "Minha namorada", "Samba de verão", "Amazonas", "Até quem sabe", "Batida diferente", "Estamos aí", "Carinhoso" e outras surpresas.

Filho de imigrantes poloneses que tocavam gaita, Maurício teve um início precoce. Aos dez anos, já participava de programas de calouros nas rádios Nacional e Tupi. Anos mais tarde, formou duos, trios e quartetos instrumentais que tocavam jazz ou choro. A influência deste último gênero sobre sua musicalidade era tamanha que chegou a se apresentar como o regional de Waldir Azevedo. Em 1955, conheceu o violonista e compositor Durval Ferreira, com quem manteve duradoura parceria. A primeira música dos dois, "Sambop" foi gravada por Claudete Soares no LP "Nova geração em ritmo de samba", de 1959. E outras viriam, tais como "Estamos aí"" (com Durval Ferreira e Regina Werneck) gravada por Leny Andrade; "Tristeza de nós dois" (com Durval Ferreira e Bebeto); "Batida diferente" e "SamBlues" (com Durval Ferreira e Regina Werneck). Consta do seu currículo a composição de mais de 400 músicas, das quais 40 foram gravadas.

Músico requisitado, gravou com Vitor Assis Brasil, Chico Buarque, Elizeth Cardoso, Sebastião Tapajós, Hermeto Paschoal e Gilberto Gil. Participou de trilhas sonoras de diversos filmes. Teve também destaque na Bossa Nova e, em 1972, a convite de Sérgio Mendes, passou um período nos Estados Unidos, onde tocou com o guitarrista Jim Hall, o contrabaixista Ron Carter e o gaitista Toots Thielemans, de quem se tornou amigo. Com os pianistas Eumir Deodato e João Donato, participou da gravação do LP "Donato/Deodato".