Emily Blunt revive Mary Poppins

Rob Marshall evita remake do clássico de 1964 e leva às telas segundo livro da simpática babá voadora

LOS ANGELES - O diretor Rob Marshall sempre sonhou em fazer um musical original, e “O retorno de Mary Poppins”, continuação do clássico de 1964, era a ocasião perfeita. Marshall seguiu os mesmos princípios ao procurar o visual do filme, que terá a britânica Emily Blunt interpretando o papel-título e a difícil missão de fazer o papel eternizado por Julie Andrews. “Queria que fosse clássico, mas não datado”, disse. Ele criou, por exemplo, sua própria versão da sequência de animação em 2D, trazendo artistas da aposentadoria para poder fazê-la. “Esta cena faz parte do DNA de Mary Poppins, não podia deixá-la de fora”, conta. Mas os movimentos de câmera são mais modernos e há até algum uso de drones, algo que, acredita, Walt Disney aprovaria. “Ele sempre tirava vantagem das novidades, das novas tecnologias. Então, usamos, mas mantendo as raízes clássicas do original”, explica o realizador. A mesma coisa com os cenários que ficam um pouco mais realistas, até porque se trata de um período sombrio, mas não totalmente. “Assim, quando entramos na fantasia, ela explode na tela”, acredita o cineasta. O filme tem estreia nacional marcada para quinta-feira.

Macaque in the trees
Vivida pela britânica Emily Blunt, Mary Poppins volta a Londres 30 anos depois mas não envelhece nada (Foto: Divulgação)

Em vez do limpador de chaminés Bert (Dick Van Dyke), a nova versão tem um acendedor de lampiões Jack Hamilton, vivido por Lin-Manuel Miranda, ator e autor do fenômeno da Broadway. “Ele é perfeito para o papel, porque tem uma pureza e um otimismo contagiantes”, atesta Emily Blunt. Mas Van Dyke, aos 91 anos de idade, faz uma aparição especial. “Ninguém ficou de olhos secos no dia em que ele filmou”, lembra Miranda. “Passar um tempo com Van Dyke é como tomar cafeína na veia. Ele tem mais energia que qualquer garoto”, completa o ator.

Dança assustou

O elenco teve oito semanas de ensaios, necessários para os números de canto e dança complexos, que deixaram tanto Emily Blunt quanto Lin-Manuel Miranda um pouco preocupados. “Quase tudo foi feito de verdade, sem CGI”, explica Blunt. “Dançar fez meus joelhos tremerem. Tenho um passado na ginástica e sei me mover, mas não sou bailarina”. Era o mesmo problema de Miranda: cantar, tudo bem, ele fez durante meses na Broadway, mas dançar não é seu forte.

Enquanto ele faz um rap, os outros dançam em torno dele. “Tanto que, no dia da minha grande cena de dança em Mary Poppins, eu trouxe meus pais, minha mulher e meu filho para o estúdio. Sabia que era uma oportunidade única”, divert-se. Aparentemente deu certo, já que os dois foram indicados para o Globo de Ouro, e Emily concorre também ao prêmio do Screen Actors Guild.

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Dick Van Dyke e Julie Andrews em cena na produção de 1964, baseada no primeiro livro de P. L. Travers (Foto: Divulgação)

Para todos os envolvidos, “O retorno de Mary Poppins” não poderia chegar numa hora mais propícia. “Estávamos desesperados para fazer algo assim, uma fantasia esperançosa e emocionante, para equilibrar com esse mundo em que vivemos”, afirma Marshall. “Meryl Streep (que faz uma pequena participação) topou imediatamente, me dizendo: ‘Quero fazer parte do envio desta mensagem bonita. Para mim, este é um presente para o mundo neste momento’”, recorda o cineasta.

Imagens como a da babá flutuando com seu guarda-chuva, músicas como “Feed the birds” e expressões como “Supercalifragilisticexpialidocious!” estão marcadas no cérebro dos fãs de Mary Poppins. “Entendo que eles queiram proteger seu filme tão querido”, diz Emily Blunt.

A história se passa cerca de 20 anos após o filme original, quando a Inglaterra está mergulhada na Grande Depressão. As crianças do filme original agora são os adultos Jane (Emily Mortimer) e Michael (Ben Whishaw), que é pai de três, um tanto negligenciados desde a morte de sua mãe. Aí entra Mary Poppins, que não envelheceu nada.

Respeito ao original

Diretor da sequência, Marshall resume em uma palavra sua abordagem: “respeito”. “Primeiramente, jamais faria uma refilmagem. Não ousaria tocar no filme original. Então, tínhamos de encontrar outra forma de contar a história”, argumenta.

A solução que ele, seu parceiro e coreógrafo John DeLuca e David Magee, autor do roteiro, acharam foi mergulhar nos outros sete livros escritos por P.L. Travers, a arredia autora que foi tema do filme Walt nos Bastidores de Mary Poppins. “No fim, disse ‘sim’ também porque não queria correr o risco de outra pessoa dirigir e desrespeitar o filme que amo tanto”, diz.

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O diretor Marshall com a sua protagonista (Foto: Divulgação)

Então, nenhuma das músicas originais faz parte da continuação, que tem canções novinhas compostas por Marc Shaiman e Scott Wittman. “Rob disse que só contratou pessoas que carregavam no sangue o filme original”, revela Wittman. “Embora ele não quisesse fazer uma cópia, tínhamos de amar o filme original e honrá-lo em todos os momentos.” A dupla de compositores, apaixonada pelos irmãos Sherman, autores das músicas do primeiro filme, era uma escolha natural. (Estadão Conteúdo)



Vivida pela britânica Emily Blunt, Mary Poppins volta a Londres 30 anos depois mas não envelhece nada
O diretor Marshall com a sua protagonista
Dick Van Dyke e Julie Andrews em cena na produção de 1964, baseada no primeiro livro de P. L. Travers