Festival de música experimental amplia presença feminina nesta edição e tem performances com piano, dub e DJs

Com 21 participantes, de sete países, o principal festival de experiências sonoras e música experimental começa hoje, com o sol raiando no Arpoador, e vai até domingo, com uma variedade que começa pelo folk irlandês e vai até o dub jamaicano, passando por experimentações com guitarras, clarinetes e até o som da água, além, é claro, de aparelhos sonoros em suas múltiplas formas de manipulação para criar os mais diversos sons possíveis.

Responsável pela curadoria do Novas Frequências, o produtor Chico Dub destaca a importância de desmistificar a ideia de que a música precise de palcos convencionais. “Um de nossos maiores méritos é utilizar a cidade como um palco, um espaço livre em que a música dialogo com os espaços públicos, seus sons e energias”, analisa, acrescentando que, já em sua oitava edição, nunca um único artista se apresentou mais de uma vez. “Os artistas convidados são desafiados a apresentar algo que nunca fizeram antes”, completa.

Macaque in the trees
Tomoko Sauvage (Foto: Divulgação)

A norte-irlandesa Áine O’Dwyer, está alinhada nessa proposta e desponta como destaque entre as atrações listadas para esta edição. Cantora, harpista, pianista e artista sonora, ela leva a cabo o nome de seu trabalho “Pianowalk”, ao “andar” pela cidade, se apresentando a cada dia em um local diferente, durante todo o festival.

Descrita como “uma série de performances e coreografias para piano em paisagens urbanas, “Pianowalk” traz a artista extrapolando as técnicas convencionais do instrumento. Além dos locais, ela promete revezar as apresentações, com uma performance diferente a cada dia.

Entre suas gravações, destacam-se “Music for church cleaners, volumes 1 e 2”, que, apesar do nome, formam um único – e soturno – álbum, gravado no órgão de tubo da Igreja de São Marcos, em Londres, em “Gallaris”, registrado no túnel do Museu Brunel, sob o Rio Tâmisa, incorporando ruídos e “paisagens sonoras”, com pouquíssima edição.

Depois de madrugar tocando hoje às 5h50 na Praia do Arpoador, Áine passa terça (Praça Marechal Âncora, 15h) e quarta (Paço Imperial, 12h) em torno da Praça 15. Na sexta, se apresenta às 10h, junto às obras do VLT na Avenida Marechal Floriano, entre duas incursões na Tijuca, quinta no Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro (Rua José Higino, 17h) e sábado às 10h30 na Praça Xavier de Brito. Encerra seu “Pianowalk” carioca às 14h no Aterro do Flamengo.

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Keiji Haino (Foto: Kazuyuki Funaki)
Paradinho no Museu de Arte do Rio (MAR), na Praça Mauá, o Dubversão Sistema de Som, de São Paulo, apresenta de amanhã a domingo uma instalação sonora inédita, das 10h às 17h30, somente com versões da mesma música. Trata-se da instrumental “Real rock”, gravada originalmente pelo grupo jamaicano Sound Dimension e, que nesse meio século, já inspirou mais de 400 versões.

Foi uma das gravações que deu origem a uma das tradições do reggae – posteriormente, adotada também pelo hip-hop – de não necessariamente se fazer versões integrais das músicas, como em covers, mas também utilizando partes delas, ou, no caso, a base instrumental para adicionar letras cantadas, falas improvisadas. Inserir efeitos sonoros ou alterar seu andamento.

Do Japão, o Novas Frequências traz dois artistas bem diferentes. Colaborador de John Zorn e Jim O’Rourke, entre outros, o guitarrista Keiji Haino, ativo desde os anos 1970, circula por experimentação livre, com ruídos extraídos da amplificação e de efeitos, do minimalismo a camadas de psicodelia. Ele fecha o festival às 18h30 do próximo domingo, no Teatro Odisseia (Av. Mem de Sá, 66 - Lapa), com ingressos a R$ 60 e meia entrada a R$ 30 válida também para quem levar 1 kg de alimento não perecível.

Já Tomoko Sauvage, radicada desde 2003 em Paris, explora os efeitos eletrônicos sobre a vibração da água em cumbucas de porcelana chinesa. São as “Waterbowls”, que dão nome à sua apresentação e, segundo ela, formam uma espécie de “sintetizador natural”, gerando diferentes timbres na água que bate e volta, com o som captado por meio de microfones subaquáticos. Com a iluminação, a japonesa ainda trabalha as propriedades visuais dos reflexos na água.

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DJ Galo Preto é um dos que toca na Gamboa na madrugada de domingo (Foto: Divulgação)

Ela se apresenta às 20h de quinta-feira no Espaço Cultural Sérgio Porto (Rua Humaitá, 163), em noite que também tem o The International Nothing. Formado em 2000 em Berlim, na Alemanha, esse duo alemão de clarinetistas usa tons incomuns, elementos multifônicos e frequência de batidas para compor o que classifica como “esculturas sonoras multicamadas”. A entrada também custa R$ 60, mas a meia (R$ 30) é válida apenas para as formas previstas por lei.

O próximo fim de semana traz noites com vários participantes, incluindo DJs, fundindo os conceitos de apresentação e festa. Na sexta-feira, a DJ paulista Stefanie Egedy apresenta a performance “Falha Comum”, JP Caron faz “Circuitos Simultâneos” e Henrique Iwao mostra sua “Cacofonia Tropicália”, a partir de 22h30, no Aparelho (Praça Tiradentes, 85, Centro), a R$ 20.

Contando a partir da meia-noite de sábado para domingo, outro DJ paulista, Galo Preto (não confundir com o antigo grupo de choro) divide a noite com os também brasileiros Guillerrrmo e Saskia, o chileno Bonaventure e o americano RP Boo, na Rua da Gamboa, 345, na Zona Portuária. Ingressos a R$ 30 com nome no evento do Facebook e R$ 50.

A programação completa pode ser vista no site.

Colaborou Affonso Nunes



Tomoko Sauvage
Kazuyuki Funaki
DJ Galo Preto é um dos que toca na Gamboa na madrugada de domingo
Keiji Haino