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Entre trabalhos paralelos de música clássica, Branford Marsalis se volta ao jazz hoje com seu quarteto, que prepara disco novo

Divulgação -
Marsalis com Joey Calderazzo (piano), Eric Revis (contrabaixo) e Justin Faulkner (bateria), de seu quarteto
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Com expectativa de material novo, o saxofonista americano Branford Marsalis toca hoje, na Sala Cecília Meireles à frente de seu quarteto. Versado em trabalhos que vão da música pop à clássica, nesta turnê o músico se atém ao jazz, ao lado de Joey Calderazzo (piano), Eric Revis (contrabaixo) e Justin Faulkner (bateria), que o acompanham desde o final da década passada.

A atual formação do Branford Marsalis Quartet coincide com o período em que ele se divide entre as atividades jazzísticas e erudita, chegando à direção artística de concertos da Orquestra Sinfônica de Cincinnati, entre 2012 e 2013.

Um pouco antes, em 2008, o saxofonista solou peças de Heitor Villa-Lobos (1887-1959) à frente da Orquestra Philarmonia Brasileira. Não há, entretanto, composições do maestro ou demais músicas brasileiras previstas para a apresentação de hoje, cujos ingressos se esgotaram. Por e-mail, Branford responde que também “não há convidados especiais previstos, mas tudo pode acontecer”, bem de acordo com a linha de improvisação do jazz.

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Marsalis com Joey Calderazzo (piano), Eric Revis (contrabaixo) e Justin Faulkner (bateria), de seu quarteto (Foto: Divulgação)

polis, na Região Serrana –, o músico que contabiliza oito vindas a terras cariocas e adjacentes, recebeu a cantora Rosa Passos para uma canja em “Triste”, de Tom Jobim. Já em seu álbum mais recente, “Upward spiral” – lançado em 2016, junto com o cantor Kurt Elling –, o quarteto gravou “Só tinha que ser com você”, de Jobim e Aloysio de Oliveira.

Sem lançar um disco de instrumentais inéditas desde “Four MFs playin’ tunes” (2012), o Branford Marsalis Quartet prevê músicas novas para hoje, porém, de acordo com seu band leader. “Vamos tocar material próprio, com algo do novo disco em que estamos trabalhando”, adianta o saxofonista nascido em 1960 em Breaux Bridge, cidade vizinha a Nova Orleans.

Isso leva também a músicas não só do próprio Branford Marsalis, mas também de seus companheiros de banda. “Four MFs”, por exemplo, trazia, duas composições de Calderazzo e outras duas de Revis, além de três do saxofonista e versões para “Teo”, de Thelonious Monk, e “My ideal” (Robin/Chase/Whiting). A divisão mais ou menos equânime de composições vem desde álbuns da década passada, como “Eternal” (2004), Braggtown (2006) e “Metamorphosen”, (2009).

Um dos responsáveis por renovar as audiências de jazz strictu sensu nos anos 1980, mas de circulação intensa entre gêneros, Branford tem o cuidado de manter, em seu site oficial, as agendas de suas turnês e o histórico de suas discografias em links separados para os trabalhos de jazz e de música clássica.

Na mesma multiplicidade, as colaborações com o pop foram importantes para (re)popularizar o jazz, incluindo parcerias com Sting, com o qual tocou em dupla no Live Aid, em 1985; e o máximo totem hippie Grateful Dead, passando pelo rap e por pontes com o cinema e a televisão. É de Branford o solo de sax em “Fight the power”, do Public Enemy, faixa-tema de “Faça a coisa certa” (1988), de Spike Lee, para o qual depois faria a trilha sonora de “Mais e melhores blues” (1990).

Na TV, liderou a banda do “Tonight Show”, de Jay Leno, entre 1992 e 1995. Saiu para formar o Buckshot Lefonque, grupo que fundia jazz/funk/soul a hip-hop, com rappers e DJ, prática que se popularizou na época, sendo contemporâneo de US3 e Guru’s Jazzmatazz, entre outros. 

Distante do pop

Alguns desses parceiros, como Dead and Company – banda de remanescentes do Grateful Dead, com a qual fez shows no ano passado. Não tem, entretanto, trabalhos com a música pop atual, o que atribui a uma questão geracional.

“Não tenho tocado com nenhum cantor ou grupo pop recentemente porque as estrelas atuais são todas de 20 a 30 anos mais jovens do que eu – e não vejo usarem muito saxofone”, justifica. “Eu ainda toco, de tempos em tempos, com o Sting, Dead and Company ou a Trucks-Tedeschi Band, mas passo a maior parte do meu tempo tocando jazz ou música clássica mesmo”, reforça o irmão mais velho dos irmãos Jason (baterista, 41), Delfayo (trombonista, 53) e Wynton (trompetista, 57) – com o qual despontou quando jovem, no início dos anos 1980, tocando juntos entre os Jazz Messengers, banda do lendário baterista Art Blakey (1919-1990).

Paralelamente às turnês, desde 2011, o saxofonista mantém, com parceiros como o cantor Harry Connick Jr., o EMCM (Ellis Marsalis Center for Music), em Nova Orleans, em uma das diversas iniciativas para recuperar a cidade após a destruição causada pelo furacão Katrina, em 2005, especialmente entre a população mais pobre.

Com doações – inclusive de shows beneficentes –, taxa simbólica de US$ 30 semestrais por criança e adolescente, a escola de música leva o nome de seu avô paterno, que morreu em 2004, aos 96 anos – e, por tabela, o de seu pai, o pianista Ellis Marsalis Jr., hoje com 84.

Entre 2016 e 2017, por exemplo, passou de 95 para 179 o número de músicos, já adultos, que foram contratados para shows e concertos após estudarem no EMCM.

“Eu e Harry Connick Jr. ainda fazemos shows beneficentes para a instituição, mas não supervisionamos o trabalho do dia a dia, pois nenhum de nós vive em Nova Orleans. O propósito foi de usar a música como forma de manter as crianças ocupadas, participando de uma atividade depois da escola, mais ou menos como é feito com os esportes nos Estados Unidos. Agora, parece estar indo bem”, comemora, comedido.

SERVIÇO

BRANFORD MARSALIS QUARTET

Sala Cecília Meireles Largo da Lapa, 47 - Lapa.

Tel.: 2332-9223.

Hoje, às 19h.

Entrada: R$ 180 (inteira).