Pennywise: Atitude positiva e consciência política

Trinta anos atrás tinha início na cena punk californiana uma banda que buscava promover consciência política e atitude mental positiva em suas letras, acompanhadas de batidas rápidas da fusão entre classic punk, surf punk e blistering hardcore. A liberdade para escrever canções comprometidas apenas com a filosofia deles, sem as amarras de questões de mercado com público e venda de gravadoras gigantes, seguiu, e o Pennywise volta a falar sobre autoconfiança, mudanças radicais e resistência no novo disco lançado em abril deste ano, “Never gonna die”, ainda sob o selo da Epitaph Records, gravadora independente dos Estados Unidos, dirigida por Brett Gurewitz, guitarrista do Bad Religion.

Para celebrar as três décadas de som pelo mundo, com milhões de discos vendidos, o Pennywise faz turnê pela América do Sul, com show marcado para hoje no HUB -RJ, na Zona Portuária. O JORNAL DO BRASIL conversou com o baixista Randy Bradbury por telefone, de Anaheim, Califórnia, sobre o novo disco, política e novas formas de fazer música.

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Pennywise celebra 30 anos com novo disco e turnê pela América do Sul (Foto: Divulgação)

O hardcore é atitude, é energia, sobretudo, resume Randy Bradbury, que está no Pennywise desde a morte do baixista Jason Thirsk, em 1996. Jason era o “núcleo emocional do Pennywise”, definiu certa vez o vocalista Jim Lindberg, que iniciou a banda com Jason e é o letrista do trabalho lançado neste ano. “A mensagem sempre foi para prestar atenção no que está acontecendo, ter confiança em si, tomar posição no que você acredita, ter respeito pelas pessoas, levar todos em conta e, ao mesmo tempo, não deixar as coisas escaparem, curtir a vida”, resume Randy Bradbury.

“Never gonna die” é o primeiro disco inteiramente de inéditas em mais de dez anos, na formação com o vocalista Jim Lindberg, o guitarrista Fletcher Dragge, o baterista Byron McMackin e o baixista Randy Bradbury. O trabalho teve a produção do colaborador habitual Cameron Webb (Motörhead, NOFX e Alkaline Trio).

Lançar letras que falam sobre, pelo menos, respeitar a vida de todas as pessoas em um contexto em que os EUA têm Donald Trump na presidência e outros países elegem lideranças com discurso semelhante só reforça o argumento inicial da banda. Em tom de quem não consegue acreditar no que está acontecendo no mundo, contudo, Randy solta: “Está tudo muito louco”. “A internet está aí. Todo mundo tem opinião. Estamos tentando dizer às pessoas que prestem atenção, abram os olhos. Mas agora está tudo maluco, honestamente. A vida de todo mundo deveria ser vista como importante. Mas a política está ficando muito estranha.”

Uma das músicas mais famosas da banda, “Fuck authority”, lançada em 2001, diz: “Nós estamos fartos da sua traição / Fartos de suas mentiras / F*, não, não vamos ouvir / Nós vamos abrir seus olhos”. No disco deste ano, o 12º da banda, a canção homônima diz: “Não se esqueça disso / Nós reescrevemos a verdade / A verdade é que estamos adorando uma mentira / Isso é patético / O monstro devora nossa juventude”.

“Fuck authority” e outros clássicos do grupo, como “Same old story”, “Alien”, “Homesick” e “Bro Hymn” estão no setlist. A noite vai começar com Jimmy & Rats, grupo com o ex-vocalista do Matanza Jimmy London, e vai ter ainda os canadenses do Comeback Kid, na estrada desde 2000. “Já estivemos muitas vezes no Brasil, e é sempre muito feliz estar aí. A plateia é entusiasmada, amamos a cena brasileira. A essa altura, todos já sabem o que esperar do Pennywise”.

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SERVIÇO

PENNYWISE Abertura Jimmy & Rats e Comeback Kid.

HUB RJ (Av. Professor Pereira Reis, 50 – Santo Cristo; Tel.: 97173- 1502) - Hoje, às 21h. (abertura da casa, às 18h).

Ingressos: R$ 130