Poesia quebrada: confira crítica de 'O Colar de Coralina'

Inspirado no poema “O prato azul-pombinho”, de Cora Coralina, e em episódios da infância da poetisa goiana, “O colar de Coralina”, de Reginaldo Gontijo, mostra a menina frágil e oprimida que encontra no jogo da amarelinha um meio de superar limites. É na ligação afetiva e traumática com um prato valioso, último de coleção de noventa e duas peças, pertencente à sua bisavó, que a trama pretende abordar a formação da escritora na cidade de Goiás Velho.

Utilizando animação, o filme acerta ao evocar a tradição dos contadores de histórias para revelar o significado do prato como objeto de veneração na família, mas peca ao utilizar atores inexperientes para representar essa narrativa. Somente Letícia Sabatella consegue compor algo sólido. O restante do elenco é caricato tirando qualquer possibilidade de envolvimento com a trama. Se a proposta é de um filme para crianças, a conquista desse público se perde na falta de ousadia, com uma sucessão de diálogos que não contribuem para a magia proposta pelas animações. Falta o espírito da poesia Coralina que já rondava sua infância na descoberta dos livros.

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O Colar de Coralina: * (Ruim)

Cotações: o Péssimo; * Ruim; ** Regular; *** Bom; **** Muito Bom