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Cultura

Herbie Hancock toca hoje na Barra

Pianista evita apresentar temas do novo álbum, em finalização, e opta por standards

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Responsável por alguns dos álbuns mais influentes do jazz fusion a partir da década de 1970, como “Headhunters” (1973) e “Flood” (1973), o pianista e tecladista americano Herbie Hancock se apresenta hoje à noite no Km de Vantagens Hall – antigo Metropolitan. A inovação sempre esteve na mira de Hancock. Nos anos 1960, quando tocava no quinteto do trompetista Miles Davis, se tornou um dos principais nomes de ponta do jazz a tocar com frequência o piano elétrico Fender Rhodes, adicionando ainda os efeitos de um pedal wah-wah, normalmente utilizado por guitarristas, e do Echoplex – uma câmara que gera eco. Já na década seguinte, mergulhou nos sintetizadores – sem abandonar o piano – e nas influências do funk, culminadas no álbum “Monster”, de 1980.
Nas décadas mais recentes, viu sua popularidade crescer novamente com um novo tipo de fusão, feita por outros músicos: com o hip-hop e o acid jazz, a partir do sample de sua “Cantaloupe Island”, usado com base para o sucesso “Cantaloop”, do US3, em 1993, e hoje bastante comum no repertório das rodas de jazz aqui do Rio de Janeiro.

Macaque in the trees
ma lua de mel prolongada no Brasil levou Hancock e aser demitido por Miles Davis. Nascia sua carreira solo (Foto: divulgação)

Herbie Hancock vem à Barra da Tijuca com um novo disco, em fase de produção, terá participação do saxofonista Kamasi Washington e dos rappers Kendrick Lamar e Snoop Dogg, mas não será o foco do repertório desta noite. O pianista toca com o baixista James Genus (integrante da banda do programa “Saturday Night Live”, da TV americana), o baterista Justin Brown (que também já tocou Thundercat, Ambrose Akinmusire e Esperanza Spalding), o gaitista suíço Grégoire Maret (parceiro do baixista Marcus Muller) e o cantor americano Michael Mayo – vale lembrar que Hancock tem diversas músicas com vocal, como “Saturday night” e “Stars in your eyes”, do citado “Monster”.
Em entrevista recente, o pianista conta que o Brasil fez parte de sua formação musical, quando saiu do grupo de Miles Davis, que o teria demitido por vir para cá em lua de mel e demorar para voltar – o que também acabou alavancando a carreira de Chick Corea. “É uma forma de ver as coisas (risos). A outra é que ele foi responsável por eu começar minha carreira solo. Quando deixei Miles, montei meu grupo e aquilo foi um novo começo para mim. O Brasil acabou abrindo uma grande oportunidade para mim. E não seria certo se eu ficasse com Miles para o resto da vida”, afirma o músico.
‘Ele sabia que eu, [o saxofonista] Wayne Shorter, [o baterista] Tony Williams e outros estávamos falando em largar a banda e ir embora. Ele sabia disso. Então, no dia em que voltei da lua de mel do Brasil tarde demais para um show, ele já havia chamado um outro pianista chamado Chick Corea. Bem, vi Chick tocando e tive a certeza de que Miles não precisaria mais de mim”, acrescenta Hancock, que, em 2016, fez um show junto com wayne Shorter na Sala São Paulo.(Com Estadão Conteúdo)

Serviço

HERBIE HANCOCK KM DE VANTAGENS HALL. Av. Ayrton Senna, 3000 (Via Parque Shopping), Barra da Tijuca. Tel.: 2156-7300. Hoje, às 21h30. Ingressos de R$ 70 a R$ 400 – vendas online pelo site premier.ticketsforfun.com.br. Capacidade: 8.450 espectadores.