A carreira que Lars diluiu: confira a crítica de 'A casa que Jack construiu'

Há alguns anos Lars Von Trier vem tentando destruir o prestígio cultivado por mais de 20 anos a um público cativo do sua filmografia outrora brilhante. Controverso, Lars testou o público em seu duo de longas anterior, “Ninfomaníaca” volumes 1 e 2, tirando as polêmicas da zona da narrativa e levando-as até si, como autoanalisado. Pois isso torna a ocorrer em seu marqueteado novo longa.

Se ele realizasse um documentário íntimo, ganhariam público, diretor e obra. Porém seus filmes vêm tropeçando em um egocentrismo explícito e em repetições cavalares, chegando ao cúmulo de reproduzir sua estrutura-base de roteiro do anterior para cá. Novamente, temos um protagonista que se abre a um interlocutor cético aos seus feitos, até se convencer do horror ouvido. Matt Dillon aqui é um alter ego, reproduzindo a forma como Lars vê o mundo e regurgita tudo em forma de autopromoção.

Aos poucos, passa a não interessar se o psicopata Jack irá construir sua casa, matar mais dois ou 50, porque, por trás de sua trama, tudo se resume à egotrip de um diretor que tenta convencer o mundo sobre sua excelência, com direito a uma explanação sobre “a arte cinema”, exemplificada na tela por trechos de seus próprios filmes. É lamentável o lugar reducionista ao qual o diretor de ‘Ondas do Destino’ chegou, se colocando no patamar de Dante Alighieri.

Macaque in the trees
Uma Thurman contracena com Matt Dillon em A casa que Jack construiu, novo longa-metragem dirigido pelo cineasta dinamarquês Lars Von Trier (Foto: Divulgação)

* Membro da ACCRJ (Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro)

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A CASA QUE JACK CONSTRUIU: * (Ruim)

Cotações: o Péssimo; * Ruim; ** Regular; *** Bom; **** Muito Bom