Jornal do Brasil

Cultura

Resistir é preciso... no cinema

Jornal do Brasil RODRIGO FONSECA * ; MÔNICA LOUREIRO, Especial JB

Apesar de sua mudança de calendário, pulando um mês e concentrando sua programação entre 1 e 11 de novembro, o Festival do Rio vem aí para lembrar que, quando o assunto é cinema, esta terra ainda é digna do apelido Cidade Maravilhosa: serão 200 filmes, de 60 países, distribuídos entre 20 telas.

O circuito junta os dois complexos do Grupo Estação em Botafogo, o NET Gávea e o Odeon, começando pela atração de largada, o thriller de assalto “As viúvas”, do inglês Steve McQueen, com Viola Davis. Dele em diante, a maratona cinéfila vai oferecer ao público carioca a chance de conferir, em primeira mão, potenciais concorrentes ao Oscar, como o explosivo “Infiltrado na Klan”, que marca a volta de Spike Lee; “Sem rastros”, de Debra Granik; “Se a rua Beale falasse”, de Barry Jenkins, o realizador de “Moonlight” (2016); e “Pássaros de Verão”, de Cristina Gallego e Ciro Guerra, ensaio metafísico sobre o tráfico drogas na Colômbia.

Macaque in the trees
"Correndo atrás", com destaque para o carisma de Ailton Graça, fez sucesso nos Estados Unidos (Foto: Divulgação)

O ganhador do Urso de Ouro Berlim e da Palma de Ouro de Cannes já estão garantidos também: “Não me toque”, de Adina Pintilie, e “Assunto de família”, de Hirokazu Koreeda. “A Casa que Jack Construiu”, do controverso Lars Von Trier, que causou revolta - incluindo pessoas passando mal na sala de exibição - em Cannes, também está na programação. Não faltam documentários sobre o estado de coisas destes tempos de intolerância global, como “O que você irá fazer quando o mundo estiver em chamas”, do italiano Roberto Minervini, ou “Seu rosto”, do taiwanês Tsai Ming-Liang, ambos badalados no Festival de Veneza.

Entre as estreias brasileiras, são mais de 80, como “O órfão”, de Carolina Markowicz (premiado em Cannes) e “Mormaço”, de Marina Meliande, uma das produções nacionais mais elogiadas no Festival de Roterdã.

Há ainda programações paralelas, como debates, oficinas e a mostra especial de seis filmes brasileiros que terão sessões gratuitas em quatro unidades Sesc (Nova Iguaçu, São Gonçalo, Tijuca e Madureira). Vai ter ainda uma homenagem ao diretor Nelson Pereira dos Santos (1928-2018), com a projeção de “Rio Zona Norte” (1957) e “Rio 40 graus” (1955). Vale um destaque para a celebração dos 20 anos de “Central do Brasil”, de Walter Salles, em cópia nova. Além de dois eventos especiais: o “Concerto dançante”, com a Orquestra Petrobras Sinfônica, que vai homenagear os filmes dos anos 70 e 80 no Teatro Rival Petrobras, e a parceria com o Sofar Sounds, num evento secreto, em lugar inusitado, com apresentações ao vivo de vários artistas. Para participar, é necessário se inscrever pelo site http://www.sofarsounds.com

Diversidade não falta, nas mais variadas latitudes, nem resistência, comprovando que, pelo menos nas telas, o Rio de Janeiro reage. 

*Roteirista e crítico

Atrações nacionais

 

A Première Brasil traz 64 longas e 20 curtas Na competição oficial, estão nove ficções e seis documentários:

Ficção

“A sombra do pai”, de Gabriela Amaral Almeida (SP); “A Terra Negra dos Kawa”, de Sérgio Andrade (AM);

“Azougue Nazaré”, de Tiago Melo (PE); “Chuva é cantoria na aldeia dos mortos”, de João Salaviza e Renée Nader Messora (MG); “Deslembro”, de Flavia Castro (RJ); “Domingo”, de Clara Linhart e Fellipe Barbosa (RJ); “Morto não fala”, de Dennison Ramalho (RS); “Nóis por nóis”, de Aly Muritiba e Jandir Santin (PR); e

“Tinta bruta”, de Marcio Reolon e Filipe Matzembacher (RS)

 

Documentário

“Clementina”, de Ana Rieper (RJ); “Eleições”, de Ana Riff (SP); “Gilda Brasileiro - Contra o esquecimento”, de Roberto Manhães Reis e Viola Scheuerer (ES); “Meu nome é Daniel”, de Daniel Gonçalves (RJ); “Relatos do front”, de Renato Martins (RJ); e “Torre das Donzelas”, de Susanna Lira (RJ)

Longas hors-concours

“Sueño Florianópolis”, de Ana Katz: Um casal hispano-americano visita Santa Catarina sonhando rever boas lembranças.

“Correndo atrás”, de Jeferson De: Comédia aposta no carisma de Ailton Graça na pele de um homem que sonha mudar de vida treinando um craque de futebol. “Carvana”, de Lulu Corrêa: Comovente documentário sobre Hugo Carvana, dirigido por sua fiel assistente.

“Rasga coração”, de Jorge Furtado: Peça teatral de Vianinha ganha adaptação marcada pela poética do diretor gaúcho

“Cano Serrado”, de Erik de Castro: Rubens Caribé é um sargento sedento de vingança.

“THF: Aeroporto Central”, de Karim Aïnouz: O documentário acompanha a vida de sírios, afegãos e iraquianos que adotaram hangares abandonados do aeroporto Tempelhof, em Berlin, como lar.

 

Atrações internacionais

“A vida em si”, de Dan Fogelman: O criador da série “This is us” fala sobre os efeitos que o fim do casamento tem em diferentes pessoas. Antonio Banderas chega ao apogeu de seu talento.

“Vision”, de Naomi Kawase: A diretora japonesa aborda o amor de maneira escancarada nesta trama com Juliette Binoche, que vive uma pesquisadora que viaja à caça de uma planta que brota de 900 em 900 anos.

“Vírus tropical”, de Santiago Caicedo: Virtuosismo técnico e contundência dramática se casam neste desenho animado latino baseado na HQ homônima (autobiográfica) do cartunista colobiano Power Paola.

“A queda do império americano”, de Denys Arcand: Cerca de 32 anos após “O declínio do império americano” e 15 de “As invasões bárbaras”, o canadense retoma os personagens para radiografar as falências morais do cotidiano.

“A pé ele não vai longe”, de Gus Van Sant: Indicado ao Urso de Ouro de Berlim, recria a trajetória de John Callahan (1951-2010), alcoólatra que, após ficar paraplégico, virou um cartunista de sucesso. Joaquin Phoenix brilha no papel de Callahan.

“A prece”, de Cédric Kahn: O jovem Anthony Bajon ganhou como Melhor Ator em Berlim pelo papel de um dependente químico que precisa escolher entre as benesses do Senhor ou prazeres da carne.

“Girl”, de Lukas Dhont: Drama belga sobre afirmação de identidade de gênero é um potencial concorrente ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

“Hal Ashby”, de Amy Scott: Mostra a trajetória de William Hal Ashby (1929-1988), realizador de marcos como “Ensina-me a viver” (1971) e “Amargo regresso” (1978).

“Happy hour – Verdades e consequências”, de Eduardo Albergaria: Pablo Echarri é um professor e Letícia Sabatella, sua mulher, uma política assolada pela notícia de que o marido quer “abrir” a relação.

“A rainha do medo”, de Valeria Bertuccelli e Fabiana Tiscornia: Valeria estreia na direção com um drama sobre o surto de uma estrela às vésperas de subir aos palcos com um monólogo.

 



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