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Roger Waters faz espetáculo da resistência e coloca Bolsonaro entre neofascistas

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Roger Waters entregou o que prometeu logo no inicio do seu show na noite de terça-feira (9), no Allianz Parque, em São Paulo. A tensão que ele criou com a imagem em seu telão gigante, de uma mulher sentada à beira de um oceano, era incrível. O mundo está prestes a acabar, mas isso só vai ser revelado quando ele apareceu no palco. 

"Breathe" levanta as plateias lotadas, com mais uma revelação. No andar de cima das arquibancadas, em cada lateral e ao fundo, Waters usa conjuntos de caixas de som que vão criar o efeito surround.

O ponto polêmico do show foi quando Water exibiu uma mensagem defendendo a resistência contra o neofascismo, e em seguida mostrou uma lista de líderes mundiais que se encaixariam neste perfil, incluindo o candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL). Uma batalha de gritos de guerra começou. "Fora PT" se revezava com "Ele não". Mais tarde, a hashtag que viralizou (#EleNão) também foi exibida, e recebida também com aplausos e vaias.

O show

"Time" é anunciada com o despertador de um relógio, e o som da plateia fica mais forte que o do palco. O rosto de Waters aparece pela primeira vez no telão e pode se perceber como os anos têm passado. Está mais curvado. Os cabelos longos e mais finos, os olhos mais fundos. A força de sua voz provoca o mesmo efeito.

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Roger Waters exibe mensagem de #Ele Não em seu show, numa alusão a Jair Bolsonaro (Foto: Reprodução Twitter)

"Welcome to the Machine" chega tensa e estrondosa. Waters está no centro do palco como um integrante, sem o mesmo protagonismo cênico de suas turnês anteriores. Sua imagem não é a que mais aparece no telão, o que dificulta a vida dos fãs mais distantes do palco.

De tão boas, as músicas do disco novo parecem saídas de algum álbum do Pink Floyd. "Deja Vu", a primeira delas, faz até setores da plateia vip, tradicionalmente a mais dispersa, se calar. Um feito.

Depois de "Picture That", "Wish You Were Here". E a plateia canta pela primeira vez uma canção inteira.

"Another Brick in the Wall" começa com 12 pessoas encapuçadas como se fossem reféns do Estado Islâmico, imóveis no palco, prestes a serem decapitadas. Quando chega a parte do coro, elas retiram os capuzes. São todas crianças. Há um choque absurdo na plateia. Ao final da música, Waters explica que todas as crianças são brasileiras.

Waters volta ao palco do Allianz Parque nesta quarta-feira, dia 10.

Com Estadão Conteúdo



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