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Claudette Soares e Alaíde Costa celebram a Bossa Nova

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Em um tom bem mais pronunciado do que o registro suave com que o estilo ficou conhecido, Claudette Soares e Alaíde Costa mostram hoje, em Copacabana, seu legado para a celebração da seis décadas da Bossa Nova, com uma apresentação única no Theatro Net Rio.

Presentes desde o início do movimento, mas com incursões por estilos diversos, as duas cantoras interpretam o repertório de “60 anos de Bossa Nova”, CD produzido por Thiago Marques Luiz e lançado pela gravadora Kuarup.

O álbum faz uma espécie de antologia da Bossa Nova, com 25 músicas divididas em 18 faixas, contando dois pout-pourris.

Um deles já abre o álbum, começando com “Onde está você” (Oscar Castro Neves/Luvercy Fiorini) e seguindo por três canções com letras de Vinícius de Moraes: “Apelo” (Baden Powell), “Insensatez” (Tom Jobim) e “Primavera” (Carlos Lyra). Elas se revezam, com Alaíde, cantando a primeira e a terceira, seguida por Claudette, que faz a segunda e a quarta.

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Claudette (esq.) e Alaíde cantam solo e em dupla (Foto: Murilo Alvesso/Divulgação)

Já na 12ª faixa, o segundo pout-pourri é todo de Claudette, em cinco composições da dupla Tom e Vinícius: “Ela é carioca” (popularizada pelo grupo vocal Os Cariocas), “O amor em paz”, “Chega de saudade” (cuja gravação de João Gilberto é considerada o marco fundamental da Bossa Nova), “Garota de Ipanema” e “Só danço samba”.

Radicada em São Paulo nos anos 1960, a carioca Claudette Soares, 80, lembra, com autoironia, que virou “a ovelha negra da Bossa Nova”, quando gravou músicas de Roberto e Erasmo, entre elas o sucesso “Como é grande o meu amor por você’, já vivendo na capital paulista. ‘No auge da Bossa Nova, você gravar Roberto Carlos era um pecado, porque havia toda aquela rivalidade contra o iê-iê-iê da Jovem Guarda, mas a música era linda mesmo. No fim, foi um divisor de águas que não me atrapalhou em nada. E pouca gente se lembra de que o próprio Roberto começou cantando bossa”, lembra a Claudette, que, no CD, também interpreta o samba “Diz que fui por aí” (Zé Kéti/Hortêncio Rocha) e standards dos irmãos Marcos e Paulo Sérgio Valle (“Os grilos”) e da dupla Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli (“O barquinho”).

“Foi o Bôscoli que, em 1960, me trouxe para cá”, lembra. “Ele disse ‘Claudette, você tem que vir para São paulo divulgar a Bossa Nova. Acabei ficando até hoje, mas sempre mantenho a ponte com o Rio”, garante a cantora, que também analisa a diferença entre seu estilo de cantar e o tom “suave” de João Gilberto e Nara Leão.

“Comecei a cantar muito na boate Plaza, sempre com pianistas… Luiz Eça, João Donato, Eumir Deodato. É um instrumento que reverbera mais do que o violão e isso influenciou minha forma de cantar – o Ruy Castro [autor de ‘Chega de saudade, livro em que conta a história da Bossa Nova] costumava me dizer isso”, conta Claudette.

A também carioca Alaíde Costa, 82, canta solo outros sucessos, como “Dindi” (Tom Jobim/Aloysio de Oliveira), “Caminhos cruzados” (Tom Jobim/Newton Mendonça) e “Oba-la-la” (João Gilberto), no CD cujo repertório a dupla leva hoje ao palco.

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SERVIÇO

CLAUDETTE SOARES E ALAÍDE COSTA

Theatro Net Rio (R. Siqueira Campos, 143, 2º piso.

Tel.: 2147-8060). Hoje, às 21h. R$ 100 (inteira) e

R$ 50 (meia), no site www.ingressorapido.com.br

ou na bilheteria, aberta a partir de 10h.



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