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Espetáculo em cartaz no Teatro dos Quatro relembra os shows de Vinicius com violão e voz

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A partir da década de 1970, quando os shows de música saíram das boates para os palcos, o poeta e compositor Vinicius de Moraes passou a se apresentar ao lado de um grande violonista e de uma cantora de personalidade marcante. Dori Caymmi ou Toquinho, no violão. Clara Nunes, Maria Creuza, Marília Medalha, Miúcha, entre outras, na interpretação - incluindo aí até o Quarteto em Cy.

O público, que lotava espaços cada vez maiores, das temporadas e teatros para o Canecão, se deliciava e cantava junto a maior parte do repertório. “Tarde em Itapoã”, “Regra três”, “Para viver um grande amor”, “A tonga da mironga do kabuletê”, “Canto de Ossanha”, “Samba em prelúdio”, entre outras pérolas.

Macaque in the trees
Luiza Borges, Marcos França e André Siqueira relembram os grandes encontros (Foto: Divulgação)

O sucesso foi tamanho que, do Rio de Janeiro, o espetáculo viajou para outras cidades e países , além de render a gravação de elepês, como os históricos “O poeta, a moça e o violão” - com Clara Nunes - ou “La Fusa”, com Maria Creuza, ao vivo na boate de Buenos Aires. Este formato de apresentação seria a marca do Poetinha até o fim (1913 - 1980). Um belíssimo álbum nesta linha foi gravado por Vinicius e Toquinho com a italiana Ornela Vanoni.

Para reviver o legado de Vinicius e o formato desses shows inesquecíveis, os roteiristas Hugo Sukman e Marcos França criaram o musical “Com amor, Vinicius - Ou como sobreviver nesta selva oscura e desvairada”, fechando assim a trilogia composta por “Deixa a dor por minha conta”, sobre Sidney Miller, e “Nara – A menina disse coisas”, sobre Nara Leão. Marcos França interpreta Vinicius e se une à cantora Luiza Borges e ao violonista André Siqueira neste musical. A direção é de Ana Paula Abreu e fica em cartaz no Teatro dos Quatro, na Gávea, até o dia 11 de novembro.

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Toquinho e Vinicius também lançaram álbum com Ornella Vanoni (Foto: Divulgação)

Música, bate-papo e poesia

O roteiro desta montagem prevê a informalidade desses grandes encontros no palco e com o público, com que Vinicius interagia direto, como se estabelecesse uma conversa aberta com amigos, além de recitar poemas. No repertório, estão “Janelas abertas” (em parceria com Tom), “Gente humilde” (com Chico Buarque, sobre melodia de Garoto), “Maria Moita” e “Sabe você” (ambas com Lyra), “Mais um adeus” (com Toquinho) e “Berimbau” (com Baden Powell), entremeadas a poemas como “Pátria minha”, “Poema de Natal”, “Operário em construção” e “A carta que não foi mandada”.

A dramaturgia aborda três épocas distintas. A montagem começa em 1969, com um esbaforido poeta chegando atrasado a um show devido aos protestos que ocorriam na cidade. Volta-se ao ano de 1964, quando o golpe militar se instala-se e, então, avança até a década de 1970. Mostra ainda o Vinicius diplomata, que, através do Itamaraty, viajou pelo país, se deparou com as desigualdades sociais e aprimorou sua visão humanista. “Eu era um homem de direita, tornei-me um homem de esquerda”, reconheceu ele, em uma de suas declarações.

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Gravado em Buenos Aires, "La Fusa" recebeu ótimas críticas (Foto: Divulgação)

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SERVIÇO

COM AMOR, VINICIUS - Musical de Hugo Sukman e Marcos França, sob a direção de Ana Paula Abreu. Com Marcos França, Luiza Borges, André Siqueira e Marias Zibecchi (bateria e percussão). Teatro dos Quatro (R. Marquês de São Vicente, 54 - Gávea; Tel.:2239-1095). Sex. e sáb., às 21h, dom., às 20h. Ingressos a R$ 80. Até 11/11.



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